Como criar uma rotina que reduza crises em crianças com TDAH e TOD

Pai confortando uma criança que cobre o rosto, em cena relacionada ao acompanhamento de TDAH e TOD.

Descubra como uma rotina estruturada pode oferecer mais previsibilidade, tranquilidade e segurança para crianças com TDAH e TOD e para suas famílias, com estratégias baseadas em evidências científicas

Para pais e cuidadores de crianças com TDAH e TOD, os desafios do dia a dia podem ir muito além da agitação ou de dificuldades comportamentais ocasionais.

Esses quadros envolvem desatenção, impulsividade e dificuldades de controle comportamental, além de padrões persistentes de irritabilidade, comportamento desafiador e atitudes opositoras.¹

O impacto pode atingir o desempenho escolar, a convivência familiar e as relações sociais. A boa notícia é que a literatura científica mostra que intervenções estruturadas, especialmente no ambiente familiar e escolar, podem reduzir crises.¹

Criar uma rotina previsível, consistente e bem orientada é um dos pilares mais importantes para ajudar crianças com TDAH e TOD a desenvolverem maior autorregulação e estabilidade emocional.¹

Por que crianças com TDAH e TOD têm mais crises?

Crianças com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) e TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) tendem a apresentar mais crises porque enfrentam dificuldades centrais no controle da atenção, da impulsividade e das emoções. 

No TDAH, a tríade sintomatológica envolve desatenção, hiperatividade e impulsividade, além de prejuízos no controle inibitório e na memória de trabalho, que dificultam a regulação do comportamento.¹

Isso significa que a criança com TDAH pode reagir antes de pensar, ter baixa tolerância à frustração e dificuldade para manter regras em mente. 

Já no TOD, há um padrão persistente de humor irritável e comportamento desafiador, por vezes, associado a conflitos nas interações familiares e sociais.²,⁴

Quando esses quadros coexistem, o que é comum, a presença simultânea de impulsividade e irritabilidade tende a intensificar conflitos interpessoais e comportamentos desafiadores.¹,²,⁴

Entenda os desafios e construa um ambiente mais seguro e previsível para a criança

Crianças com TDAH e TOD tendem a apresentar mais dificuldades quando o ambiente é instável ou pouco estruturado. A literatura mostra que rotinas consistentes e ambientes previsíveis ajudam no controle emocional.¹

Quando essa previsibilidade falha, aumentam distrações, impulsividade e conflitos. 

No TOD, dinâmicas familiares marcadas por conflitos frequentes podem se intensificar em contextos desorganizados, favorecendo discussões e resistência às regras.²

Por isso, mais do que “controlar comportamentos”, a rotina ajuda a criar um ambiente em que a criança entende o que esperar, o que precisa fazer e quais são os combinados do dia. 

Como estruturar uma rotina que realmente funcione

Uma rotina eficaz combina previsibilidade, clareza nas regras e consistência entre casa e escola.¹

Veja algumas dicas práticas:

  • Estabelecer horários fixos para acordar, estudar, brincar e dormir;¹
  • Dividir tarefas em etapas curtas, explicadas passo a passo;¹
  • Reduzir estímulos visuais e distrações no ambiente;¹
  • Antecipar mudanças com avisos prévios e instruções clara;¹
  • Reforçar comportamentos adequados com respostas consistentes.2

Ponto-chave: quanto mais simples, visual e repetível for a rotina, maior a chance de a criança compreender os combinados e se sentir mais segura para segui-los. 

O papel dos pais na redução dos comportamentos desafiadores

Os pais são muito importantes na redução de episódios de irritabilidade e dificuldades comportamentais em crianças com TDAH e TOD.

A literatura indica que intervenções parentais estruturadas produzem efeitos significativos na diminuição de comportamentos opositores.2

No TDAH, o treinamento dos pais é recomendado como parte das intervenções psicossociais.¹

Além disso, padrões familiares marcados por conflitos constantes podem contribuir para a manutenção e amplificação dos comportamentos desafiadores ao longo do tempo.²

Por isso, respostas consistentes, regras claras e reforço positivo tendem a reduzir conflitos e favorecer maior autorregulação na criança.¹

Na prática, isso significa que a rotina também precisa acolher os cuidadores. Quando os adultos têm combinados mais claros, fica mais fácil responder com consistência, sem depender apenas da reação do momento. 

Quando é necessário combinar rotina com tratamento especializado?

Embora a organização da rotina seja fundamental, ela pode não ser suficiente quando há prejuízo funcional significativo ou comorbidades associadas. 

No TDAH, o tratamento envolve abordagem múltipla, incluindo intervenções psicossociais e, quando indicado, medicação.¹

Estudos mostram que estimulantes apresentam alta taxa de resposta para sintomas centrais.¹

No TOD, intervenções estruturadas e precoces são consideradas eficazes.²,⁴

Quando há persistência de irritabilidade intensa, conflitos frequentes ou impacto importante na escola e na família, a avaliação especializada torna-se essencial.¹

Com acompanhamento adequado e estratégias consistentes, é possível promover mais equilíbrio emocional, organização da rotina e qualidade de vida para a criança e sua família.

Aviso legal: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento por profissionais de saúde.

Referências:

  1. Rohde LA, Barbosa G, Tramontina S, Polanczyk G. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Braz J Psychiatry. 2000;22(Suppl 2). doi:10.1590/S1516-44462000000600003.
  2. Hawes DJ, Gardner F, Dadds MR, Frick PJ, Kimonis ER, Burke JD, et al. Oppositional defiant disorder. Nat Rev Dis Primers. 2023;9:31. doi:10.1038/s41572-023-00441-6.
  3. Diamond A. Attention-deficit disorder (attention-deficit/hyperactivity disorder without hyperactivity): a neurobiologically and behaviorally distinct disorder from attention-deficit/hyperactivity disorder (with hyperactivity). Dev Psychopathol. 2005;17(3):807-825. doi:10.1017/S0954579405050388.
  4. Serra-Pinheiro MA, Schmitz M, Mattos P, Souza I. Transtorno desafiador de oposição: uma revisão de correlatos neurobiológicos e ambientais, comorbidades, tratamento e prognóstico. Braz J Psychiatry. 2004;26(4). doi:10.1590/S1516-44462004000400013.

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