A gestão da rotina de pessoas com TDAH pode ser aprimorada por meio de apoio familiar e acompanhamento profissional adequado, contribuindo para maior estabilidade
O apoio familiar exerce um papel importante na vida de pessoas com TDAH. Embora o TDAH seja reconhecido como uma condição neurobiológica multifatorial, fatores ambientais, incluindo o suporte familiar, podem modular seu curso e a manifestação dos sintomas.¹
Estudos apontam que a percepção de apoio familiar, a presença de diálogo, afeto e relações de confiança favorecem o enfrentamento das dificuldades do dia a dia. Por outro lado, situações de estresse, conflitos e práticas parentais negativas podem estar associadas ao agravamento dos desafios relacionados ao transtorno.¹
O papel da família no cuidado diário
Acolhimento sem julgamento
Para quem convive com o TDAH, os desafios podem se manifestar em diversas áreas, desde o ambiente escolar e profissional até os relacionamentos e as tarefas do dia a dia. Entender isso é o primeiro passo para oferecer o suporte necessário.²
Estudos apontam que a percepção de apoio familiar está relacionada a aspectos como diálogo, afeto, aceitação, confiança e autonomia entre os membros da família. Além disso, conflitos familiares e níveis elevados de estresse podem agravar dificuldades associadas ao transtorno.1
Apoio na organização da rotina
A organização, o planejamento e a gestão do tempo podem representar desafios para muitas pessoas com TDAH. A participação da família e de outras pessoas da rede de apoio pode favorecer melhores resultados no manejo dessas dificuldades.²
Estudos indicam que ambientes acolhedores e de apoio podem potencializar os benefícios das intervenções voltadas ao transtorno.2
Além disso, relações familiares baseadas em confiança, diálogo e incentivo à autonomia podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias que auxiliem a pessoa a lidar com as demandas do cotidiano.¹,²
Identificação de sinais de alerta
A participação da família na rotina permite acompanhar de perto os impactos do TDAH em diferentes áreas da vida. Dificuldades comportamentais, desafios acadêmicos, conflitos familiares e prejuízos no funcionamento diário são alguns dos aspectos frequentemente observados pelas redes de apoio.¹,³
Intervenções precoces e individualizadas são fundamentais para mitigar os impactos negativos e potencializar o desenvolvimento de estratégias de manejo do transtorno. Além disso, a atuação conjunta entre familiares, profissionais de saúde, educadores e outros integrantes da rede de apoio contribui para um cuidado mais abrangente e integrado.³
Como fortalecer a rede de apoio
Comunicação clara com profissionais de saúde
A comunicação entre familiares, profissionais de saúde, educadores e outros integrantes da rede de apoio é apontada como um elemento importante no acompanhamento do TDAH.³
A tomada de decisões compartilhada entre família, escola e especialistas é uma estratégia eficiente para mitigar os prejuízos associados ao transtorno. Além disso, a abordagem multidisciplinar permite reunir conhecimentos de diferentes áreas na busca por intervenções mais integradas.³
Participação no tratamento
A participação da rede de apoio está associada a efeitos positivos nos resultados do tratamento, e ambientes encorajadores e acolhedores podem potencializar os benefícios das intervenções.²
Vale destacar, também, a importância da atuação conjunta entre família, escola e profissionais de diferentes áreas, por meio de uma abordagem multidisciplinar e da tomada de decisões compartilhada, com foco em mitigar os impactos associados ao transtorno e favorecer um acompanhamento adequado às necessidades de cada pessoa.³
Respeito à autonomia da pessoa
Fortalecer a rede de apoio também envolve reconhecer a autonomia da pessoa com TDAH. Estudos descrevem o suporte familiar como um conjunto de aspectos que incluem afeto, diálogo, proximidade afetiva, liberdade, autonomia e independência entre os membros da família.1
Relações marcadas por confiança, privacidade e respeito à autonomia podem contribuir para que os familiares encontrem formas de lidar com situações adversas e desafios relacionados ao transtorno.¹
Como ser um pilar de apoio para uma pessoa com TDAH?
Algumas atitudes podem ajudar familiares e cuidadores a tornar o suporte mais presente no cotidiano:
- manter uma comunicação aberta e sem julgamentos;
• apoiar a organização da rotina sem retirar a autonomia da pessoa;
• observar mudanças que possam indicar dificuldades no dia a dia;
• compartilhar informações relevantes com profissionais envolvidos no acompanhamento;
• respeitar limites, necessidades e particularidades individuais;
• buscar informações confiáveis sobre o TDAH e suas diferentes formas de manifestação.
O objetivo não é assumir todas as responsabilidades pela pessoa com TDAH, mas construir uma rede que ofereça apoio ao mesmo tempo em que respeita sua independência e participação nas decisões.
Fortalecimento do cuidado e da qualidade de vida
Além do acompanhamento profissional e do suporte familiar, hábitos consistentes e atenção à saúde cognitiva podem contribuir para o bem-estar ao longo do tempo.
O fortalecimento da rede de apoio, aliado ao acompanhamento profissional e a hábitos saudáveis, pode contribuir para mais qualidade de vida e bem-estar ao longo do tempo.
Aviso legal: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui, em hipótese alguma, a consulta, avaliação ou acompanhamento por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica.
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Referências:
- Rezende FP, Calais SL, Cardoso HF. Stress, parenting and family support in attention deficit/hyperactivity disorder. Psicol Teor Prat. 2019;21(2):153-171. doi:10.5935/1980-6906/psicologia.v21n2p153-171.
- Lauder K, McDowall A, Tenenbaum HR. A systematic review of interventions to support adults with ADHD at work—Implications from the paucity of context-specific research for theory and practice. Front Psychol. 2022;13:893469. doi:10.3389/fpsyg.2022.893469.
- Wolraich ML, Hagan JF Jr, Allan C, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents. Pediatrics. 2019;144(4):e20192528. doi:10.1542/peds.2019-2528.