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Autismo e TDAH: qual a relação entre os transtornos?

O autismo e TDAH são distúrbios neurológicos que costumam se manifestar logo nos primeiros anos de vida das crianças, podendo afetar aspectos como o desenvolvimento social e o aprendizado escolar. Continue a leitura e saiba como esses transtornos podem estar relacionados, além das diferenças principais dos sinais e sintomas aplicados à rotina.

O que é TDAH?

O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio de desenvolvimento neurológico, com causa genética, que se manifesta por meio de comportamentos classificados em dois grandes grupos: desatenção e impulsividade-hiperatividade. É estimado é que 3 a 5% das crianças do mundo todo tenham TDAH, sendo que metade dos casos são perpetuados ao longo da vida adulta.

Geralmente, os sinais do TDAH são percebidos antes dos sete anos de idade pelos pais ou responsáveis da criança, como os professores e outros funcionários da escola, uma vez que o transtorno interfere diretamente no comportamento e desempenho escolar. É comum que o diagnóstico seja um pouco mais demorado em pessoas que manifestam somente os sinais de desatenção na rotina, que podem ser:

  • Distração – falta de atenção a detalhes, tendência em iniciar uma tarefa antes de terminar outra, incapacidade de se concentrar, dificuldade em realizar tarefas demoradas.
  • Dificuldade de aprendizado – erros em trabalhos e provas escolares devido a descuidos, dificuldade em organizar brinquedos ou exercícios, incapacidade em ouvir ou executar instruções.
  • Disfunção da memória – perda recorrente de pertences devido ao esquecimento, dificuldade em lembrar instruções e estudos.

Já as pessoas que possuem os sinais da hiperatividade-impulsividade em conjunto com os de desatenção costumam ser diagnosticados mais facilmente devido à intensidade da manifestação no dia a dia:

  • Inquietude e agitação – dificuldade de permanecer quieto, como na própria carteira escolar, por exemplo; interrupções durante conversa com outras pessoas; correr e escalar móveis, muros e objetos; fala excessiva; mãos e pés inquietos.
  • Atitudes impulsivas – realiza ações arriscadas sem se importar com a segurança pessoal ou de outras pessoas, interrupções durante conversas com outras pessoas, responder antes que concluam a pergunta.

O que é autismo?

O autismo não é uma doença, mas sim um distúrbio neurológico conhecido como transtorno de espectro do autismo (TEA). Ele pode dificultar a comunicação e a interação social, além de fazer com que a pessoa tenha padrões restritos e repetitivos de comportamento. O TEA pode ter vários níveis de intensidade e cada uma provoca dificuldades diferentes ao longo da vida da pessoa.

Segundo a Organização das Nações Unidas, estima-se que 1% da população mundial esteja dentro do espectro do autismo – e a maioria ainda não sabe. No Brasil, estudos indicam que a idade média para diagnóstico é de quatro anos e 11 meses de idade, [GP1] [NU2] [NU3] mas, em geral, os primeiros sinais do distúrbio podem ser notados em bebês de poucos meses até os primeiros anos da infância. São eles:

  • Dificuldade em manter contato visual e expressar emoções;
  • Dificuldade na comunicação, como uso repetitivo da linguagem;
  • Não atender quando chamado pelo nome;
  • Apego excessivo a rotinas e/ou a determinados objetos;
  • Ações repetitivas;
  • Interesse intenso em coisas ou assuntos específicos;
  • Sensibilidade sensorial – podem se incomodar ou ter forte interesse por ruídos, luzes, cheiros, toque, texturas;
  • Capacidade de memória acima da média.

Quais as semelhanças e diferenças entre autismo e TDAH?

Padrão de concentração – crianças com autismo ou TDAH podem apresentar alguma dificuldade de concentração. No entanto, crianças com TEA costumam ter dificuldade em focar em atividades que não gostam, mas podem se fixar intensamente em objetos, brinquedos ou outras atividades preferidas. Já crianças com TDAH resistem em se envolver com qualquer coisa que exija concentração, principalmente se levar tempo.

Comunicação – ambas condições podem interferir na comunicação da criança em certo ponto, mas as crianças com TEA costumam ter mais dificuldade em interagir socialmente com as pessoas ao redor, acham difícil manter o contato visual ou podem falar por horas apenas sobre um objeto ou tema de interesse. Ao contrário, as crianças com TDAH (principalmente se manifestar o comportamento hiperativo) tendem à fala excessiva e interrupções de conversas.

Rotina – pessoas com TEA são propensas ao apego a uma rotina específica e ficam descontentesquando precisam mudar.Por exemplo, podem querer sempre brincar com os mesmos brinquedos, comer determinado tipo de alimento de tal restaurante, vestir determinada roupa. Já pessoas com TDAH tendem a ficar impacientes em ter que seguir a mesma rotina por muito tempo ou repetir a mesma coisa várias vezes seguidas.

Quem tem autismo pode ter TDAH?

Sim. É possível que os dois distúrbios ocorram ao mesmo tempo em uma pessoa. Pesquisas indicam que entre 30% e 50% de pacientes com autismo também apresentam TDAH. Nesses casos, os sinais podem ser mais confusos, uma vez que a pessoa pode apresentar sintomas como foco intenso e concentração em um determinado assunto de interesse ou um objeto – característica que está fora do diagnóstico de TDAH, mas que faz parte do quadro de autismo.

Pode acontecer de um dos transtornos ser mais presente que o outro: por exemplo, a criança demonstrar os sinais e sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade do TDAH combinados, mas apenas algumas características do TEA. 

Importante: somente um médico especialista é capacitado para diagnosticar uma criança com suspeita de TDAH, autismo ou ambos os distúrbios. No caso do autismo e TDAH combinados, o diagnóstico pode ser um pouco mais demorado. O médico fará uma análise dos sinais e sintomas relatados pelos pais, poderá conversar com educadores ou outras pessoas envolvidas na rotina da criança, para traçar um padrão de comportamento. Só assim é possível determinar o melhor tratamento, que pode envolver medicamentos, psicoterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outras.

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Referências: