A dor nas costas é comum, mas quando se torna persistente, intensa ou vem acompanhada de outros sintomas, pode indicar a necessidade de avaliação médica
A dor nas costas está entre as queixas mais comuns nos consultórios médicos: estima-se que até 65% dos adultos sintam o problema ao menos uma vez por ano, e até 84% terão pelo menos um episódio ao longo da vida¹. Na maioria dos casos, ela está relacionada a fatores do dia a dia, como má postura², esforço físico mal distribuído¹ ou falta de atividade física regular³.
Mas há situações em que o quadro se agrava, persiste por semanas ou vem acompanhado de outros sintomas. Nesses casos, a origem da dor precisa ser investigada antes da definição da conduta mais adequada, pois cada tipo de dor pode exigir uma abordagem diferente.
Entenda as principais causas da dor nas costas
Vários fatores podem estar por trás do sintoma, muitos deles ligados a hábitos simples do dia a dia.
Má postura e sobrecarga muscular
A maioria dos casos de dor nas costas tem origem mecânica, ou seja, está relacionada a sobrecarga muscular, má postura, movimentos repetitivos ou longos períodos na mesma posição, como ficar em pé.
Estima-se que a maioria, cerca de 90%, dos casos de dor nas costas tenha origem mecânica, o que significa que é importante estar atento a outros sintomas que possam indicar causas mais raras que necessitam de atenção médica².
Sedentarismo e falta de fortalecimento
O sedentarismo é outro fator relevante. Um estudo populacional realizado em Campinas mostrou que a inatividade física no tempo de lazer esteve associada a maior prevalência de dor nas costas, mesmo depois de ajustes estatísticos por idade e sexo³.
Outra revisão científica indicou que, em países com trabalhos predominantemente menos físicos, a prevalência de dor lombar é maior.1 Isso sugere que a falta de condicionamento físico pode ser um fator mais determinante para a dor lombar do que o esforço físico intenso em si.
Problemas na coluna e processos inflamatórios
Além dos fatores comportamentais, a dor nas costas também pode estar relacionada a alterações na coluna, como degeneração dos discos entre as vértebras, chamados de discos intervertebrais, e doenças inflamatórias, como a espondilite anquilosante e a sacroileíte.²
Essas condições tendem a se tornar mais frequentes com o avanço da idade e, em geral, exigem acompanhamento clínico específico.
Quando a dor nas costas precisa de avaliação médica
Embora a maioria dos casos melhore sozinha em pouco tempo, alguns sinais indicam que é hora de buscar orientação médica.
Dor persistente ou que aumenta de intensidade
De forma geral, a dor nas costas de origem mecânica tende a melhorar em poucas semanas com medidas simples. Quando ela persiste por mais de seis semanas apesar de cuidados adequados, os exames de imagem passam a ser considerados, já que esse período costuma ser usado para diferenciar quadros agudos de quadros mais duradouros².
Em uma pesquisa realizada em Pelotas, quase 19% das pessoas com dor nas costas no último ano apresentavam dor crônica, e cerca de 39% relataram que o problema já havia impedido a realização de atividades do dia a dia em algum momento⁴.
Sintomas associados que merecem atenção
Alguns sinais, chamados de sinais de alerta, indicam que a dor nas costas pode ter uma causa mais séria e merece avaliação médica sem demora.
Entre os sinais que merecem atenção, estão:
- perda de peso sem explicação;
- febre;
- dor que não melhora com repouso;
- fraqueza ou perda de sensibilidade nas pernas;
- alterações no controle da bexiga ou do intestino;
- dor associada a trauma significativo.
A combinação desses sinais aumenta muito mais a chance de uma causa grave do que a presença isolada de apenas um deles².
Por que identificar a causa é importante para o tratamento
Apesar de a origem exata da dor lombar não ser identificada em 90% a 95% dos casos, já que o quadro costuma ter caráter multifatorial, esse fato não reduz a importância da investigação¹.
Profissionais de saúde costumam organizar a avaliação em quatro grupos: dor mecânica sem causa específica, dor ligada a compressão de nervos ou estreitamento do canal vertebral, dor com origem em outro órgão e dor associada a doenças específicas da coluna, como infecções, fraturas ou tumores².
Identificar a qual grupo o quadro pertence orienta a conduta médica, que pode incluir observação, exames complementares ou encaminhamento a um especialista.
Como tratar a dor nas costas
O tratamento varia de acordo com a causa identificada e a intensidade dos sintomas, podendo incluir mudanças de hábito e, quando necessário, medicamentos sob prescrição médica avaliados por um profissional de saúde.
Mudanças de hábitos e medidas não medicamentosas
Em muitos casos de dor nas costas sem sinais de alerta, medidas não medicamentosas podem fazer parte da orientação inicial. Manter-se ativo, evitar apenas o repouso prolongado, retomar as atividades habituais de forma gradual e receber orientações sobre a condição costumam ser medidas recomendadas².
A escolha dessas medidas deve considerar a intensidade da dor, a presença de outros sintomas, o histórico de saúde e a avaliação de um profissional habilitado.
Ponto de atenção: repouso absoluto por longos períodos nem sempre é indicado. A retomada gradual das atividades deve seguir a orientação profissional e respeitar os limites de cada pessoa.
Quando medicamentos podem fazer parte do tratamento
Quando as medidas iniciais não são suficientes ou quando a dor apresenta características que exigem maior atenção, o médico pode avaliar se há necessidade de medicamentos, considerando a causa da dor, a intensidade dos sintomas, o histórico de saúde, o uso de outros medicamentos e possíveis contraindicações.
Em algumas situações, anti-inflamatórios sob prescrição médica podem ser considerados dentro de um plano de tratamento individualizado, sempre conforme avaliação médica e informações previstas em bula.
Tratamento deve considerar a origem e a intensidade da dor
O tratamento da dor nas costas deve sempre considerar a causa identificada e a intensidade dos sintomas. Casos mecânicos leves podem ser acompanhados com medidas orientadas por profissionais, conforme avaliação individual, enquanto quadros associados a outros problemas de saúde tendem a ser mais graves e exigir acompanhamento mais próximo³.
Por isso, a avaliação individualizada, feita por um profissional de saúde, é o que determina qual caminho terapêutico é mais adequado para cada pessoa.
Sua saúde é prioridade. Em caso de dúvidas sobre dor nas costas, converse com seu médico.
Aviso legal: este artigo da Cellera Farma tem como objetivo informar e educar sobre saúde. Ele não substitui avaliação médica, diagnóstico, prescrição, tratamento ou acompanhamento por profissionais de saúde. Em caso de dor nas costas persistente, intensa, recorrente ou acompanhada de outros sintomas, procure orientação médica.
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Referências:
- Nascimento PRC, Costa LOP. Prevalência da dor lombar no Brasil: uma revisão sistemática. Cad Saúde Pública. 2015;31(6):1141-1156.
- Margetis K, Singh C, Casiano VE, Varacallo MA. Low Back Pain: Evaluation and Management. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Atualizado em 13 de dezembro de 2025.
- Iguti AM, Bastos TF, Barros MBA. Dor nas costas em população adulta: estudo de base populacional em Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saúde Pública. 2015;31(12):2546-2558.
- Ferreira GD, Silva MC, Rombaldi AJ, Wrege ED, Siqueira FV, Hallal PC. Prevalência de dor nas costas e fatores associados em adultos do sul do Brasil: estudo de base populacional. Rev Bras Fisioter. 2011;15(1):31-36.
- Bula de SOTTO. Consultar informações completas de indicação, contraindicações, advertências, posologia, interações medicamentosas e reações adversas antes do uso.