Sinais do TDAH: como o transtorno se manifesta ao longo da vida

Jovem demonstrando sinais de estresse e sobrecarga ao tentar estudar, o que pode ser um dos sinais do TDAH.

Compreender os sinais do TDAH é essencial para entender por que os sintomas variam tanto ao longo da vida, especialmente entre infância e fase adulta

Os sinais do TDAH ajudam a entender por que o transtorno pode se manifestar de formas tão diferentes em crianças e adultos. 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o TDAH é classificado em apresentações predominante desatenta, hiperativa/impulsiva e combinada, variando conforme o perfil de sintomas e a fase da vida.1

Além disso, estimativas recentes indicam prevalência média entre 4% e 5% em estudos clínicos, reforçando sua relevância na infância e na vida adulta.2

Quais são sinais do TDAH e por que ele se manifesta de formas diferentes?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que causam prejuízo funcional, conforme descrito no DSM-5.1

O diagnóstico é clínico e exige presença de sintomas por pelo menos seis meses, com impacto em ambientes diferentes, como casa, escola, trabalho.1

A forma como o TDAH se manifesta pode variar ao longo da vida: estudos epidemiológicos mostram prevalências diferentes entre crianças, adolescentes e adultos.2

Essa variação está relacionada tanto a mudanças no desenvolvimento cerebral quanto às diferentes demandas acadêmicas, sociais e profissionais de cada fase.

TDAH predominantemente desatento

De acordo com o DSM-51, o TDAH predominantemente desatento é caracterizado pela presença de sintomas de desatenção sem predomínio significativo de hiperatividade ou impulsividade. 

Entre os sinais descritos estão dificuldade em manter a atenção em tarefas, cometer erros por descuido, parecer não escutar quando lhe dirigem a palavra, não seguir instruções até o fim, dificuldade de organização, evitar atividades que exigem esforço mental contínuo, perder objetos e ser facilmente distraído. ⁵

Para o diagnóstico, esses sintomas devem persistir por pelo menos seis meses e causar prejuízo funcional.

TDAH predominantemente hiperativo-impulsivo

Segundo o DSM-51, o TDAH predominantemente hiperativo-impulsivo é diagnosticado quando há seis ou mais sintomas de hiperatividade-impulsividade, mas menos de seis sintomas de desatenção, presentes por pelo menos 6 meses.

Entre os sinais descritos estão agitação motora (mexer mãos ou pés, remexer-se na cadeira), dificuldade em permanecer sentado, correr ou subir em situações inadequadas, dificuldade de brincar ou se envolver silenciosamente em atividades, falar excessivamente, responder antes da pergunta ser concluída, dificuldade de esperar a vez e interromper ou se intrometer nas atividades dos outros.⁵

Assim como o tipo anterior, os sintomas devem causar prejuízo funcional.

TDAH tipo combinado

De acordo com o DSM-51, o TDAH tipo combinado é diagnosticado quando os critérios tanto de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade são atendidos nos últimos seis meses. Isso significa que o indivíduo apresenta número suficiente de sintomas dos dois domínios. 

Nesses casos, podem coexistir dificuldades de organização, distração frequente e esquecimento, juntamente com agitação motora, impulsividade verbal e dificuldade de esperar a vez.⁵

Como nas demais apresentações, os sintomas devem estar presentes em dois ou mais ambientes (como casa, escola ou trabalho) e causar prejuízo funcional significativo.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação envolve entrevista clínica detalhada, levantamento de histórico escolar e familiar e, sempre que possível, informações de terceiros. O diagnóstico é fundamentado na observação de sintomas comportamentais de desatenção, impulsividade e hiperatividade ao longo da vida.3

Em adultos e idosos, a avaliação exige atenção ao diagnóstico diferencial, especialmente com depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo leve.4

Tratamento e impacto na qualidade de vida

O manejo é multimodal, combinando psicoeducação, intervenções psicoterápicas e tratamento farmacológico quando indicado. 

Evidências sugerem que, mesmo em idosos, o tratamento pode melhorar atenção, funcionalidade e estabilidade emocional, desde que haja monitoramento de comorbidades e risco cardiovascular.4

Sem tratamento, o TDAH está associado a prejuízos acadêmicos, ocupacionais e maior risco de comorbidades psiquiátricas ao longo da vida.3,4

Referências:

  1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014. Tradução de: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. ISBN 978-85-8271-089-0.
  2. Popit S, Serod K, Locatelli I, Stuhec M. Prevalence of attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD): systematic review and meta-analysis. In: Understanding and Treating ADHD. Cambridge: Cambridge University Press; 2024. Published online 2024 Oct 9.
  3. Kieling RR, Rohde LA. ADHD in children and adults: diagnosis and prognosis. In: Current Topics in Behavioral Neurosciences. Vol. 9. Berlin: Springer; 2011. p. 1–16. doi:10.1007/7854_2010_115.
  4. Dobrosavljevic M, Larsson H, Cortese S. The diagnosis and treatment of attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD) in older adults. Expert Rev Neurother. 2023;23(10):883–893. doi:10.1080/14737175.2023.2250913.
  5. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). 2022.

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