TDAH e sono: a relação entre distúrbios do sono e o transtorno do déficit de atenção

Problemas de sono são comuns em pessoas com TDAH e podem impactar ainda mais a atenção, a concentração e a qualidade de vida

Viver com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um desafio que se manifesta de várias formas, e uma das mais significativas, e por vezes negligenciadas, é a dificuldade para dormir. 

Muitas pessoas com transtorno do déficit de atenção relatam que, mesmo sentindo um cansaço extremo, a mente continua acelerada na hora de deitar.

Essa relação entre o TDAH e a qualidade do sono pode criar um ciclo de problemas. Afinal, uma noite mal dormida é terrível para qualquer um no dia seguinte, com maior potencial de agravar os sintomas comuns do TDAH, como a falta de atenção e a impulsividade.

Compreender as raízes dessa dificuldade é o primeiro passo para encontrar maneiras de gerenciar os sintomas e, com isso, ter noites mais tranquilas. 

Por que o TDAH influencia o sono?

A relação entre o TDAH e o sono não é casual. A neurobiologia do transtorno do déficit de atenção tem um papel central nisso, pois afeta diretamente as áreas cerebrais que regulam o sono e a vigília. 

A desregulação da dopamina, um neurotransmissor importante para a atenção e o controle de impulsos, também está envolvida nesse processo.

Essa desregulação impacta a capacidade do cérebro de “desacelerar” e se preparar para o descanso. É como se o cérebro estivesse sempre em alerta, mesmo quando o corpo está exausto. 

Isso explica por que, ao tentar relaxar na cama, a mente de quem tem o transtorno muitas vezes se enche de pensamentos, ideias ou preocupações.

Alterações no ritmo biológico e dificuldade para relaxar

Um dos principais fatores que ligam o transtorno do déficit de atenção aos distúrbios do sono é a alteração do ritmo circadiano. Esse “relógio biológico” interno é responsável por regular os ciclos de sono e vigília. 

Em muitos casos de TDAH, esse ritmo está atrasado. Isso significa que o cérebro não libera a melatonina, o hormônio do sono, no horário esperado. Com isso, a pessoa sente dificuldade para dormir cedo e, por consequência, para acordar na manhã seguinte. 

Impactos da hiperatividade e da ansiedade noturna

A hiperatividade também pode se manifestar durante a noite, tanto fisicamente quanto mentalmente. É comum sentir uma necessidade incontrolável de se movimentar, o que pode incluir a síndrome das pernas inquietas, um distúrbio que causa sensações desagradáveis nas pernas e a urgência de movê-las.

Muitas pessoas com TDAH experimentam ansiedade crescente à medida que a noite se aproxima. Pensamentos acelerados sobre eventos do dia, preocupações com o que precisa ser feito ou mesmo a frustração por não conseguir dormir contribuem para um estado de alerta que impede o corpo de relaxar. 

Consequências da falta de sono em pessoas com TDAH

A privação de sono afeta qualquer pessoa, mas em quem tem TDAH, os impactos tendem a ser ainda mais intensos. Veja a seguir algumas das principais consequências.

Dificuldade de concentração

A falta de sono é um dos maiores inimigos da concentração, algo que já é um desafio central para quem tem o transtorno do déficit de atenção.

Uma noite de descanso inadequado impede que o cérebro se recupere e reorganize as informações, prejudicando a memória de trabalho e a capacidade de focar.

Aumento da impulsividade

A impulsividade também é um sintoma que se intensifica com a privação do sono. O córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões, é severamente afetado pela falta de descanso. Isso pode levar a decisões precipitadas e a reações emocionais mais intensas. 

Problemas emocionais

Pessoas com TDAH que dormem mal são mais propensas a experimentar alterações de humor, irritabilidade e sintomas de depressão. A regulação das emoções se dificulta, o que pode levar a um aumento da frustração e da sensação de desamparo.

Estratégias para melhorar a qualidade do sono em pacientes com TDAH

Melhorar o sono em pessoas com TDAH exige atenção a hábitos simples, mas consistentes. Pequenas mudanças podem ter um impacto real no descanso e no bem-estar

Higiene do sono

A higiene do sono é um conjunto de hábitos e práticas que favorecem o descanso. Tentar ir para a cama e acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana, ajuda a regular o relógio biológico. 

Outras dicas de rotina incluem:

  • Evitar telas: tente desconectar-se pelo menos uma hora antes de dormir.
  • Criar um ambiente relaxante: o quarto deve ser um refúgio para o sono. Mantenha-o escuro, silencioso e com uma temperatura agradável.
  • Adotar um ritual pré-sono: atividades relaxantes, como ler um livro, tomar um banho morno, ouvir música calma, podem sinalizar ao cérebro que é hora de desacelerar.

Tratamentos complementares

Existem diversas abordagens terapêuticas e suplementos alimentares que podem auxiliar no tratamento do TDAH, mas é fundamental buscar orientação médica para um diagnóstico e plano de ação individualizados.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) para pessoas com TDAH é uma opção que tem se mostrado promissora. Essa terapia ajuda a identificar e a mudar pensamentos e comportamentos que impedem o sono, substituindo-os por hábitos mais saudáveis.

Em relação a suplementos para TDAH, aqueles formulados com minerais quelatos e Vitaminas do complexo B, ajudam a modular o foco e a concentração, o que pode evitar a dispersão dos pensamentos durante a noite. 

As vitaminas do complexo B também participam na produção de neurotransmissores e hormônios importantes para o sono, como a melatonina.

Lembre-se que o tratamento do transtorno do déficit de atenção e de seus sintomas, incluindo a insônia, exige o apoio de especialistas.

 

 

Referências

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Dia mundial do TDAH: como o tratamento adequado pode transformar a rotina do paciente

Diagnóstico e o tratamento corretos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida de quem convive com o TDAH

O dia mundial do TDAH, celebrado em 13 de julho, convida à reflexão sobre a importância de reconhecer os sinais do transtorno desde cedo e garantir que o paciente tenha acesso ao acompanhamento ideal. 

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) atinge crianças, adolescentes e adultos; e, muitas vezes, com sinais que podem ser confundidos com comportamentos comuns, como agitação, esquecimento ou falta de atenção.

Embora o diagnóstico ainda enfrente estigmas e o desconhecimento, a ciência já demonstrou que intervenções adequadas podem gerar melhorias significativas no controle emocional e na organização da rotina. Falar sobre o TDAH é também uma forma de abrir espaço para o acolhimento e combater rótulos. 

Por que o diagnóstico do TDAH faz tanta diferença?

Receber o diagnóstico de TDAH ajuda a entender comportamentos, aliviar culpas e abrir caminhos para o tratamento.

Entender o transtorno ajuda a reduzir o estigma e a ansiedade

Muitas pessoas com TDAH passam boa parte da vida acreditando que têm um defeito pessoal. Não conseguir manter a atenção, esquecer tarefas simples, falar impulsivamente ou perder prazos afeta o desempenho e a autoestima. 

Quando o diagnóstico é feito de forma criteriosa por um profissional de saúde, a perspectiva muda: o paciente compreende que há uma explicação neurológica para o que sente e vive.

Neste dia mundial do TDAH, queremos lembrar que essa conscientização, por si só, já é um passo terapêutico. A redução da culpa e do estresse emocional permite que o indivíduo se abra mais para o tratamento e desenvolva estratégias personalizadas para lidar com os sintomas.

Acompanhamento profissional e abordagem individualizada são fundamentais

O TDAH não é igual para todos. Existem diferentes manifestações do transtorno: com predominância de desatenção, hiperatividade e impulsividade ou com sintomas combinados. 

Por isso, o acompanhamento deve ser individualizado, considerando o histórico, o ambiente familiar, o desempenho escolar ou profissional e as necessidades específicas de cada fase da vida.

Geralmente, o acompanhamento é feito por psicólogos, psiquiatras, neurologistas e educadores. Cada profissional contribui de maneira complementar para o plano terapêutico ser eficaz e adaptável.

Como o tratamento impacta a rotina do paciente com TDAH?

Com o tratamento adequado, o dia a dia se torna menos caótico e mais funcional, trazendo alívio e melhora na qualidade de vida.

Melhora da concentração e da organização no dia a dia

Com o suporte certo, o paciente com TDAH consegue desenvolver maior foco para atividades rotineiras. Isso se reflete diretamente na produtividade acadêmica e/ou profissional. 

Conforme o tratamento avança, há avanços na organização do tempo, no cumprimento de tarefas e na habilidade de concluir projetos iniciados — algo que costuma ser um grande desafio para quem convive com o transtorno.

Redução de impulsividade e aumento da autoestima

A impulsividade é uma das características do TDAH com potencial para trazer consequências negativas na esfera emocional e social. Interromper conversas, responder sem pensar ou mudar de ideia bruscamente são comportamentos que geram conflitos e sensação de frustração.

O tratamento ajuda o paciente a reconhecer seus gatilhos e criar mecanismos para frear reações impulsivas. No Dia Mundial do TDAH, não deixe de buscar ajuda profissional. Esse domínio emocional melhora as relações interpessoais e promove o resgate da autoestima, muitas vezes abalada desde a infância.

Estratégias terapêuticas mais utilizadas para o TDAH

O tratamento do TDAH pode combinar diferentes abordagens, adaptadas às necessidades de cada paciente. Entre elas, psicoterapia, medicamentos e até o uso de suplementos podem fazer parte do cuidado.

Psicoterapia

A psicoterapia para TDAH, especialmente nas abordagens comportamentais, contribui para o paciente identificar padrões disfuncionais de comportamento e aprenda a substituí-los por respostas mais saudáveis. 

Quando há participação da família, os resultados costumam ser ainda melhores, pois o suporte no ambiente doméstico favorece a aplicação das estratégias aprendidas em consultório.

Medicamentos estimulantes e não estimulantes

Em alguns casos, o uso de medicações pode ser recomendado. Os medicamentos estimulantes, como os à base de metilfenidato, atuam em regiões do cérebro ligadas à atenção e ao controle dos impulsos. 

Já os não estimulantes podem ser indicados em situações específicas ou quando há contraindicações ao uso dos primeiros. O mais importante é que essa decisão seja feita por um médico, com acompanhamento contínuo e revisão periódica da resposta individual de cada paciente.

Suplementos para TDAH: como podem auxiliar?

Alguns nutrientes têm papel reconhecido no suporte à concentração, à memória e à função cerebral. O magnésio, por exemplo, está envolvido na transmissão dos impulsos nervosos. 

Já as vitaminas do complexo B participam de processos metabólicos importantes para o funcionamento do sistema nervoso. É possível incluir esses nutrientes na dieta por meio de alimentos, mas em algumas situações, a suplementação pode ser considerada.

O suplemento Convivia® se destaca por conter uma combinação de vitaminas B1, B3, B6, B12, zinco e o extrato botânico Neumentix™, que atua como suporte cognitivo. A composição foi pensada para apoiar funções como memória, concentração e desempenho mental, especialmente em crianças e adolescentes em idade escolar.

É importante ressaltar que suplementos alimentares devem ser utilizados com orientação profissional, como complemento ao tratamento convencional e não um substituto.

No dia mundial do TDAH, celebramos cada avanço no manejo e no tratamento do transtorno. Esses avanços precisam ser reconhecidos. O diagnóstico não define o potencial de ninguém. Com o tratamento certo, cada paciente pode desenvolver suas habilidades e viver com mais equilíbrio, organização e qualidade de vida.

 

 

Referências

  1. CDC. Sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Disponível em: https://www.cdc.gov/adhd/about/index.html 
  2. Instituto Nacional de Saúde Mental. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: o que você precisa saber. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/publications/attention-deficit-hyperactivity-disorder-what-you-need-to-know 
  3. Instituto Nacional de Saúde Mental. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd 
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TDAH em adultos: desafios no ambiente de trabalho e estratégias para melhorar o desempenho

O diagnóstico de adultos com TDAH levanta questionamentos sobre foco, produtividade e como lidar com as exigências profissionais

O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em adultos ainda gera muitas dúvidas, desafios e preconceitos, especialmente no contexto profissional. Muitas pessoas percebem que possuem dificuldades com concentração, organização e gerenciamento do tempo, mas nem sempre associam isso ao TDAH.

Adultos com TDAH tendem a apresentar dificuldade em tarefas rotineiras e em projetos complexos, tendo que dedicar esforço extra para cumprir prazos e manter o ritmo exigido. Esses desafios podem resultar em frustrações e ansiedades por conta de uma performance instável, prejudicando o desenvolvimento pessoal e da carreira. 

TDAH em adultos: como se manifesta no ambiente profissional

Tanto por preconceito como por falta de informação, o TDAH pode ser confundido com desinteresse, preguiça ou distração ocasional. Mas, na verdade, há sintomas distintivos que ajudam a identificar o transtorno.

Sintomas mais comuns e como eles afetam o trabalho

Entre os principais sintomas do TDAH em adultos está a dificuldade em manter o foco por períodos prolongados, principalmente em reuniões longas ou atividades rotineiras que exigem atenção contínua. Isso ocorre porque o cérebro com TDAH tende a buscar estímulos mais intensos e imediatos, tornando tarefas repetitivas ou monótonas particularmente desafiadoras.

A outra face dessa moeda é a procrastinação. Ela também está relacionada ao modo como o cérebro lida com recompensas: quando a tarefa não gera uma gratificação imediata, o impulso é adiar sua execução. Esses fatores, somados, afetam diretamente a eficiência e geram um ciclo constante de estresse e frustração.

Outro ponto é a impulsividade, manifestada por decisões precipitadas ou dificuldade em aguardar turnos de fala em reuniões. Essa impulsividade está ligada a uma menor inibição de respostas comportamentais, dificultando o controle de ações automáticas.

Já a hiperatividade no TDAH, mesmo que não seja evidente em gestos ou movimentos no adulto com TDAH, costuma se manifestar como uma inquietação mental contínua, caracterizada por pensamentos acelerados, dificuldade para desacelerar e sensação constante de urgência. Essa agitação interna interfere na concentração e torna tarefas analíticas ou prolongadas mais difíceis de concluir com consistência.

Estratégias para lidar com o TDAH no dia a dia corporativo

Reconhecer os desafios do TDAH é apenas o primeiro passo. É fundamental desenvolver técnicas práticas que possam ser incorporadas ao cotidiano de trabalho, garantindo mais eficiência e satisfação pessoal.

Técnicas de organização, gestão do tempo e pausas produtivas

Manter uma agenda estruturada faz uma diferença significativa para quem convive com o TDAH. Aplicativos específicos para organização, foco profundo ou de lembretes automáticos são ferramentas úteis que ajudam a manter compromissos em dia.

Outra técnica eficaz é a divisão de tarefas grandes em atividades menores e gerenciáveis. Ao estabelecer metas claras e curtas, fica mais fácil iniciar e concluir tarefas, reduzindo a procrastinação.

A técnica Pomodoro, que sugere períodos curtos de trabalho intenso intercalados com pausas breves, é outra que está em alta e tem fama de ser bastante útil. Essas pausas produtivas podem ajudar a manter o foco ao longo do dia, garantindo maior produtividade sem sobrecarga mental.

A importância do acolhimento da equipe e do RH

O ambiente corporativo acolhedor e consciente das necessidades específicas de quem convive com TDAH em adultos é fundamental para o sucesso profissional. O departamento de recursos humanos precisa estar preparado para oferecer suporte adequado.

Sessões de sensibilização e treinamento sobre saúde mental ajudam equipes a compreender e a lidar melhor com as dificuldades do indivíduo com TDAH. Isso possibilita a criação de um ambiente corporativo mais empático e, claro, mais produtivo. 

Algumas adaptações simples, como ambientes menos barulhentos ou flexibilidade no modelo de trabalho, também podem fazer uma grande diferença.

Também é essencial que os gestores estejam abertos a conversas honestas e receptivos a pequenas adaptações que beneficiam não só os profissionais com TDAH, mas toda a equipe.

Com essas estratégias práticas e o apoio especializado, adultos com TDAH podem conquistar maior eficiência e realização no ambiente de trabalho, alcançando equilíbrio entre produtividade e bem-estar emocional.

Quando buscar diagnóstico e acompanhamento especializado

Recentemente, o transtorno se tornou pejorativo nas redes sociais e isso não pode dissuadir aqueles que suspeitam dos sintomas de buscarem um diagnóstico correto. Profissionais especializados utilizam entrevistas clínicas, questionários validados e análises comportamentais detalhadas para chegar ao diagnóstico, essencial para entender as características individuais de quem enfrenta o TDAH. 

Esse processo é fundamental para delinear tratamentos personalizados, que podem incluir desde estratégias comportamentais, suplementos para foco e concentração e até mesmo a possibilidade de uma abordagem com medicamentosa para TDAH.

 

 

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Hiperfoco no TDAH: dicas para usar a concentração a seu favor

O hiperfoco no TDAH é uma característica que pode ser usada de forma positiva. Entenda como direcionar essa concentração intensa para o dia a dia

Quem convive com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) costuma lidar com a dificuldade de manter o foco em tarefas rotineiras. Curiosamente, em alguns momentos, essa mesma pessoa pode mergulhar por horas em uma única atividade, ignorando até estímulos externos importantes, como fome ou sono.

Esse estado de imersão profunda é chamado de hiperfoco no TDAH, uma característica comum em quadros de TDAH. Apesar de parecer contraditório, essa hiperconcentração pode ser útil — desde que bem direcionada e equilibrada com o restante da rotina.

Compreender o hiperfoco ajuda a reduzir a frustração de quem vive com o transtorno e oferece caminhos para transformar essa particularidade em uma aliada, seja nos estudos, no trabalho ou em tarefas do dia a dia.

O que é o hiperfoco e por que ele acontece no TDAH?

O hiperfoco em TDAH é um estado de atenção extrema e prolongada direcionado a atividades que despertam alto nível de interesse, motivação ou recompensa imediata. É como se o cérebro passasse a filtrar todos os estímulos irrelevantes e se fixasse apenas naquele ponto de atenção.

Em pessoas com TDAH, esse comportamento está ligado ao funcionamento dos neurotransmissores da dopamina e da noradrenalina, que influenciam a motivação e o controle do foco. Quando a tarefa é envolvente, o cérebro recebe esse “reforço químico” que facilita o engajamento prolongado.

Apesar de parecer vantajoso em muitos momentos, esse padrão não é uma escolha consciente. Isso porque o cérebro de quem tem TDAH tem dificuldade em alternar o foco com flexibilidade, o que pode resultar em prejuízos quando há rigidez excessiva nessa concentração.

Além disso, vale lembrar que o TDAH apresenta outros impactos positivos, como habilidades de resolução rápida de problemas, pensamento fora da caixa e forte capacidade de adaptação a cenários dinâmicos. Esses e outros impactos positivos do TDAH são cada vez mais reconhecidos como diferenciais em diversas áreas da vida.

Diferença entre foco seletivo e hiperconcentração prolongada

O foco seletivo é o processo natural de priorizar estímulos importantes e filtrar distrações. Já o hiperfoco é mais intenso e menos controlável, com duração estendida e dificuldade para ser interrompido — mesmo que a tarefa em si não seja prioridade naquele momento.

Por exemplo, uma pessoa pode ficar horas organizando arquivos digitais ou jogando videogame, sem se dar conta da passagem do tempo ou de compromissos urgentes que estão sendo negligenciados.

O impacto do hiperfoco no TDAH vai depender do ambiente, das exigências do momento e da consciência sobre o próprio comportamento. Quando canalizado para uma tarefa útil, ele pode gerar alta produtividade e estimular a criatividade em pessoas com TDAH.

Mas, quando mal administrado, o hiperfoco pode causar atrasos, desorganização e problemas de relacionamento. Ignorar refeições, esquecer compromissos ou negligenciar atividades importantes são sinais de alerta que merecem atenção.

Por isso, reconhecer os gatilhos e treinar estratégias para redirecionar o foco torna-se um recurso importante para o bem-estar e para a funcionalidade no dia a dia.

Como transformar o hiperfoco no TDAH em uma ferramenta produtiva

Identifique os gatilhos e use a favor de atividades relevantes

O primeiro passo está na observação: em que momentos essa concentração extrema tende a surgir? Quais atividades provocam esse estado? Com essas respostas, é possível tentar associar o hiperfoco a tarefas produtivas, como estudos, trabalho criativo ou planejamento de projetos.

Pense que realizar essa observação poderá te ajudar a utilizar esse foco concentrado para tarefas como redigir textos, programar, pintar ou resolver problemas complexos que exijam atenção contínua. Quando essas tarefas estão inseridas em horários planejados, o resultado pode ser altamente satisfatório.

Ambiente favorável

Ter um espaço estruturado ajuda a reduzir estímulos que possam competir com o foco e “roubar” a atenção. Silenciar notificações, organizar a mesa de trabalho e evitar interrupções externas são ajustes simples, mas com grande impacto.

Outra dica importante é o uso de alarmes e cronômetros. Esses instrumentos funcionam como “gatilhos de saída”, sinalizando o momento de encerrar ou pausar a atividade — algo que pode ser difícil para quem está em estado de hiperfoco.

Estratégias para equilibrar foco e rotina no TDAH

Dividir tarefas grandes em metas pequenas facilita o início da ação e diminui a sensação de sobrecarga, comum no TDAH. Técnicas como Pomodoro, que propõe períodos curtos de trabalho intercalados com pausas, podem ser úteis para manter a atenção sem sobrecarregar.

Outra estratégia consiste em prever pausas entre as atividades que tendem a gerar hiperfoco. Isso ajuda a preservar energia mental, reduzir sintomas de fadiga e manter a organização do restante do dia.

Quando buscar apoio profissional e opções de acompanhamento terapêutico

Se o hiperfoco no TDAH estiver comprometendo o dia a dia, afetando o desempenho escolar, profissional ou as relações sociais, é indicado buscar orientação especializada. Psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras têm recursos validados para ajudar nesse processo.

O uso de estratégias comportamentais, técnicas de organização, e, quando necessário, acompanhamento farmacológico com o uso de vitaminas e suplementos indicados pelo seu médico, pode auxiliar na construção de uma rotina mais estável e funcional. 

Aqui na Cellera Farma, acreditamos que compreender as particularidades do TDAH — como o hiperfoco — é essencial para promover qualidade de vida. Nosso compromisso é apoiar você nessa jornada com informação, inovação e soluções que fazem a diferença.

 

 

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Como a terapia cognitivo comportamental pode ajudar no tratamento do TDAH?

A terapia cognitivo comportamental envolve o uso de técnicas para enfrentamento dos sintomas do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Ela busca promover mudanças de padrões de pensamentos e comportamentos, assim como o desenvolvimento de habilidades e uma nova visão sobre si mesmo. A abordagem psicoterápica se mostra eficiente para adultos e crianças e em cerca de 12 a 15 sessões já é possível observar melhorias. Para saber mais, confira:

O que é o TDAH e como ele afeta a vida das pessoas?
O que é a terapia cognitivo comportamental e como ela pode ajudar no tratamento do TDAH?
Como funciona a terapia cognitivo comportamental para o TDAH? (princípios, objetivos e técnicas)
Que tipo de táticas da terapia cognitivo comportamental podem ajudar pessoas com TDAH?
Quais são os benefícios da terapia cognitivo comportamental para as pessoas com TDAH?

O que é o TDAH e como ele afeta a vida das pessoas?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento marcado, especialmente, por três características: a desatenção, a impulsividade e a agitação. A disfunção costuma afetar pessoas em todas as idades. No Brasil, cerca de 7,6% das crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 17 anos, possuem o diagnóstico. Na faixa dos 18 aos 44 anos, a prevalência é de 5,2% e, acima dessa marca, a estimativa fica em 6,1%.

A maior parte dos diagnósticos ocorre no início da vida escolar, quando as crianças são submetidas a novas responsabilidades e maior autonomia. Nesse contexto ficam evidentes problemas de cognição e instabilidades de humor, características comuns em pessoas com TDAH.

Os sintomas do transtorno podem prejudicar o processo de aprendizagem e, por consequência, o desempenho escolar. São crianças com muita dificuldade em solucionar problemas, planejar, seguir orientações e reter informação. Além disso, estão constantemente em busca de compensações para se sentirem motivadas nos estudos. No caso dos adultos, os prejuízos podem ser ainda maiores como:

  • Propensão a comportamentos sexuais de alto risco
  • Instabilidade profissional
  • Abuso de drogas como o álcool
  • Maior probabilidade a acidentes
  • Isolamento social

A disfunção pode estar associada a outros problemas de saúde mental, como transtornos de humor, depressão, ansiedade, distúrbios de personalidade e outras condições psicóticas. Esse combo piora ainda mais a qualidade de vida da pessoa com TDAH. Saiba mais sobre os impactos do TDAH na vida adulta.

O que é a terapia cognitivo comportamental e como ela pode ajudar no tratamento do TDAH?

A terapia cognitivo comportamental (TCC) é uma modalidade da psicoterapia voltada para mudança de padrões do comportamento e pensamentos. Aborda a visão do paciente sobre si mesmo, suas habilidades e expectativas para o futuro. Nesse sentido, a pessoa é estimulada a entrar em contato com os sentimentos e pensamentos para compreender os gatilhos/motivos dos problemas. A TCC é indicada para o tratamento de diversas condições psíquicas de saúde, como:

  • TDAH;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Fobias;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Esquizofrenia;
  • Transtornos bipolares.

As técnicas utilizadas pelos profissionais nesse tipo de terapia ajudam a:

  • Diminuir a ocorrência de sintomas;
  • Tratar problemas psíquicos em que remédios não fazem efeito ou são recomendados;
  • Desenvolver técnicas para lidar com o estresse;
  • Superar traumas emocionais, como violências na infância;
  • Gerenciar sintomas físicos e emocionais;
  • Lidar com perdas;
  • Identificar gatilhos emocionais;
  • Ajudar na comunicação e relacionamento com outras pessoas.

Como funciona a terapia cognitivo comportamental para o TDAH?

A terapia cognitivo comportamental varia de acordo com o profissional e os principais desafios enfrentados pelo paciente. Nos primeiros encontros, o terapeuta explica as práticas e aprofunda o conhecimento sobre o paciente para, depois, iniciar as táticas necessárias.

Nesse modelo de atendimento, as pessoas com TDAH aprendem a rever padrões de pensamento, que geralmente estão automatizados e se baseiam em interpretações equivocadas. A proposta é utilizar técnicas envolvendo:

  • Reestruturação cognitiva;
  • Solução de problemas;
  • Diálogo interno;
  • Treino do autocontrole;
  • Autorreforço;
  • Sistema de recompensas;
  • Autoavaliação e monitoramento;
  • Dramatizações;
  • Treinamento de comunicação.

Que tipo de táticas da terapia cognitivo comportamental podem ajudar pessoas com TDAH?

As sessões de terapia cognitivo comportamental são estruturadas para tratar aspectos específicos e por isso o paciente com TDAH e seu psicoterapeuta costumam focar primeiro no sintoma com a maior repercussão no dia a dia. Para cada problema, existem técnicas específicas, tais como:

Planejador diário

Montar uma agenda ou planejador será extremamente benéfico para pessoas com TDAH evitarem esquecimentos, aprenderem a gerenciar o tempo e a se organizar. A proposta é inserir todos os compromissos do dia, incluindo as tarefas mais cotidianas, como passear com o cachorro ou ligar para alguém. A ideia é que o planejador funcione como um guia.

Dividindo as tarefas

Começar um novo projeto é desafiador e quem possui o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade costuma procrastinar esse tipo de empreitada. Mas, com o auxílio da terapia, o paciente aprende que dividir o projeto em etapas torna a realização mais fácil.

Longe ou perto do campo de visão

Para evitar distrações, a técnica é muito simples: tirar de vista o que não será usado e deixar aparente o que precisa ser utilizado. Dessa forma, o foco estará voltado ao que realmente precisa ser feito.

Matriz de importância da urgência

A ideia é separar as atividades em quatro categorias: importantes; urgentes; não importantes; e não urgentes. A primeira e a última costumam ser mais fáceis, mas as demais se confundem. Isso porque as pessoas com TDAH tendem a esquecer que o “não urgente” significa um prazo maior para execução, mas ainda assim há uma data a ser respeitada.

Quais são os benefícios da terapia cognitivo comportamental para as pessoas com TDAH?

Há diversos benefícios da terapia cognitivo comportamental (TCC) e, entre eles, é possível citar:

  • Melhora do autocontrole;
  • Maior equilíbrio da atenção;
  • Desenvolvimento de habilidades para solucionar problemas;
  • Aumento da autoestima;
  • Melhora da sensibilidade emocional;
  • Diminuição dos atrasos e esquecimentos;
  • Maior noção das prioridades.

Problemas associados ao TDAH, como a depressão e ansiedade, também apresentam melhora a partir das técnicas da TCC. No geral, os resultados aparecem depois de 12 a 15 sessões com duração de uma hora cada. Mesmo após a remissão dos sintomas, é importante seguir com as sessões para manutenção e desenvolvimento de outras habilidades.

Inclusive, nos casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade em que há também a indicação de tratamento medicamentoso, a TCC é eficaz para os pacientes que resistem aos medicamentos prescritos devido à sensibilidade em relação a componentes da fórmula, por exemplo.

Vale lembrar que o TDAH pode envolver desafios em várias áreas, como a vida afetiva e profissional. Por isso, é essencial considerar as abordagens complementares e recursos para melhorar o relacionamento com TDAH e entender os impactos positivos do TDAH quando há apoio adequado.

Vale ressaltar que o uso de medicamentos, como psicoestimulantes, são comumente indicados para adultos com TDAH, principalmente, quando outras doenças neurológicas estão associadas. Embora, no Brasil, as diretrizes terapêuticas adotadas na rede pública de saúde foquem somente em terapia cognitivo comportamental, orientação tanto para o paciente quanto para a família dele e hábitos alimentares.

Como a tecnologia pode ser uma aliada no manejo do TDAH?

A tecnologia pode ser uma excelente ferramenta no gerenciamento dos sintomas do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Aplicativos, softwares, dispositivos de inteligência artificial e até jogos eletrônicos ajudam a lidar melhor com os principais desafios do distúrbio, que são a falta de atenção, agitação e impulsividade. Mas, para usufruir dos benefícios desses recursos, é necessário equilíbrio no uso. Portanto, confira:

  • O que é o TDAH e quais são os sinais e sintomas dele?
  • Quais são os principais recursos para o tratamento do TDAH?
  • Como a tecnologia pode ajudar pessoas com TDAH?
  • Como a tecnologia pode atrapalhar pessoas com TDAH?
  • Como equilibrar o uso da tecnologia e o manejo do TDAH?

O que é o TDAH e quais são os sinais e sintomas dele?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico que envolve três manifestações específicas: alteração da concentração, impulsividade e inquietude. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TDAH atinge entre 5% e 8% da população do mundo todo. No Brasil, a prevalência é de 5,8%.

Entretanto, nem todas as pessoas com TDAH apresentam os sinais e sintomas da mesma forma. Isso porque o transtorno se divide em três tipos:

  • Tipo desatento – neste grupo, a desatenção predomina e a pessoa com TDAH tem dificuldade para realizar atividades, como leitura e assistir a um filme;
  • Tipo hiperatividade/impulsivo – nesse grupo, a pessoa costuma realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo, fala demais e age sem considerar as consequências;
  • Tipo misto/combinado – a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade se manifestam na mesma proporção.

Além disso, outros sinais e sintomas comuns em pessoas com TDAH incluem isolamento social, irritabilidade, dificuldade em manter o autocontrole, problemas de comunicação, esquecimentos constantes, desorganização, dificuldade para seguir regras e baixa autoestima.

Os primeiros sinais do TDAH costumam ser identificados na infância, especialmente quando a criança começa a frequentar a escola e precisa lidar com situações diferentes das habituais. Como o transtorno persiste por toda a vida, muitos diagnósticos só ocorrem na fase adulta, quando as pressões cotidianas acentuam os sintomas. Para entender melhor as particularidades dessa fase, veja mais sobre o TDAH na vida adulta.

Quais são os principais recursos para o tratamento do TDAH?

O tratamento para pessoas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade pode variar conforme a idade e as manifestações.

  • Terapia medicamentosa – o uso de medicamentos, como psicoestimulantes, pode ser indicado, principalmente, quando outras doenças neurológicas estão associadas. No Brasil, as diretrizes terapêuticas adotadas na rede pública de saúde focam na terapia cognitivo-comportamental, orientação para o paciente e sua família e hábitos alimentares.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC) – alcança resultados positivos tanto em crianças como em adultos, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades importantes, como autocontrole, comunicação verbal, organização, planejamento e melhor percepção dos sintomas.
  • Dieta e exercícios – uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios físicos ajudam a reduzir oscilações de humor e a melhorar a concentração.
  • Recursos tecnológicos – vêm sendo cada vez mais apontados como instrumentos capazes de aliviar os sintomas. Aplicativos baseados em inteligência artificial, por exemplo, funcionam como assistentes pessoais para ajudar na organização e no foco.

Outra abordagem relevante é a compreensão da relação entre TDAH e bipolaridade, já que algumas características podem ser semelhantes, exigindo uma avaliação mais detalhada.

Como a tecnologia pode ajudar pessoas com TDAH?

A tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz no gerenciamento dos sintomas da pessoa com TDAH, contribuindo para os estudos, a produtividade no trabalho e uma melhor comunicação. Entre as possibilidades estão:

  • Tecnologias assistivas – aplicativos e softwares que ajudam a lembrar tarefas, organizar atividades cotidianas e melhorar a gestão do tempo e do foco.
  • Plataformas educacionais – recursos visuais e metodologias inovadoras estimulam o interesse e facilitam a aprendizagem.
  • Dispositivos eletrônicos – smartphones, smartwatches e computadores funcionam como agendas digitais, organizadores de tarefas e lembretes.
  • Videogames – o sistema de gratificação dos games pode proporcionar melhoras na cognição, motivação e interação social.
  • Redes sociais e fóruns – oferecem espaços para a troca de experiências e suporte emocional entre pessoas com TDAH.

Além disso, existem programas de treinamento cognitivo computadorizado, desenvolvidos para fortalecer os processos cognitivos e reduzir os sintomas do TDAH.

Como a tecnologia pode atrapalhar pessoas com TDAH?

Os impactos negativos da tecnologia para pessoas com TDAH ainda estão sendo estudados. No entanto, um estudo publicado em 2023 no Journal of Attention Disorders aponta que 59% dos jovens viciados em games pela internet e 82% dos viciados em jogos no geral possuem diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores acreditam que indivíduos com TDAH podem ter maior predisposição para o transtorno de jogo na internet (IGD) e/ou transtorno de jogo (GD), reconhecidos pela OMS como problemas psiquiátricos.

Além disso, os recursos tecnológicos podem:

  • Gerar sobrecarga mental – o fluxo desenfreado de informações pode dificultar a filtragem do que é relevante.
  • Contribuir para o isolamento social – o uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode afastar a pessoa das interações presenciais.
  • Piorar a qualidade do sono – a luz das telas interfere no descanso, essencial para a concentração.
  • Ser uma grande distração – pessoas com TDAH já têm tendência a dispersar, e o fácil acesso a entretenimento digital pode prejudicar a produtividade.

Entender a diferença entre TDAH e TOD também pode ajudar no diagnóstico e na escolha das estratégias de tratamento mais eficazes.

Como equilibrar o uso da tecnologia e o manejo do TDAH?

Para equilibrar o uso da tecnologia e garantir que ela seja uma aliada no manejo do TDAH, algumas medidas podem ser adotadas:

  • Estabelecer horários determinados para jogar, usar a internet ou dispositivos digitais offline.
  • Fragmentar o tempo de uso, por exemplo, meia hora pela manhã e meia hora à noite.
  • Determinar locais específicos para o uso de dispositivos eletrônicos, evitando que interfiram no convívio familiar.
  • Utilizar dispositivos com função de desligamento automático ou lembretes para pausas.
  • Substituir parte do tempo de tela por atividades ao ar livre, como passeios de bicicleta.
  • Pais e cuidadores devem dar o exemplo, demonstrando equilíbrio no uso da tecnologia.

Além disso, buscar outras fontes de prazer, como cursos de arte ou momentos de lazer em contato com a natureza, pode contribuir para um uso mais saudável da tecnologia no cotidiano.

Como o neurofeedback pode melhorar o funcionamento cerebral das pessoas com TDAH?

O neurofeedback é uma abordagem promissora para otimizar o funcionamento cerebral em indivíduos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), condição que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Essa técnica inovadora utiliza sinais neurais para treinar e reequilibrar áreas específicas, oferecendo uma perspectiva esperançosa na busca por melhorias no controle cognitivo e na atenção. Continue o texto para saber:

  • O que é o neurofeedback e como ele funciona?
  • Quais os benefícios do neurofeedback?
  • O que é o TDAH e como ele afeta quem tem o transtorno?
  • Como é feito o tratamento para o TDAH?
  • Como o neurofeedback pode beneficiar quem tem TDAH?

O que é o neurofeedback e como ele funciona?

O neurofeedback é uma técnica terapêutica que visa otimizar a atividade cerebral por meio do monitoramento em tempo real dos padrões de ondas cerebrais. Desde a década de 1970, pacientes com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e outros distúrbios neurológicos têm utilizado o procedimento para treinar seus cérebros.

O neurofeedback funciona da seguinte forma:

  • Durante uma sessão, eletrodos são colocados no couro cabeludo do paciente para medir a atividade elétrica do cérebro;
  • Esses sinais são exibidos em um monitor, permitindo que a pessoa observe e compreenda seus próprios padrões cerebrais.

O objetivo do neurofeedback é capacitar quem tem TDAH a autorregular sua atividade cerebral, promovendo padrões mais saudáveis. Isso é alcançado por meio do feedback visual ou auditivo em tempo real, proporcionando à pessoa a oportunidade de aprender a ajustar conscientemente seu cérebro.

Quais os benefícios do neurofeedback?

O neurofeedback oferece uma variedade de vantagens, especialmente quando utilizado como uma abordagem terapêutica para diversos transtornos e condições. Alguns dos benefícios potenciais incluem:

  • Melhora no controle cognitivo – pode ajudar a aprimorar a capacidade de controle cognitivo, o que é benéfico para condições como o TDAH;
  • Redução de sintomas de ansiedade e depressão – pode contribuir para a redução das manifestações relacionadas à ansiedade e à depressão, promovendo padrões cerebrais mais equilibrados;
  • Aumento do desempenho cognitivo – indivíduos que passam por treinamento de neurofeedback podem ter melhorias no desempenho cognitivo, incluindo aprimoramento da memória e concentração;
  • Promoção do bem-estar emocional – ao permitir que as pessoas aprendam a autorregular suas respostas emocionais, o neurofeedback pode contribuir para um maior bem-estar emocional;
  • Aprimoramento do desempenho esportivo e artístico – pessoas que praticam esportes e as que desenvolvem atividades artísticas podem explorar o neurofeedback para otimizar o desempenho, aprimorando a focalização mental e a coordenação.

O que é o TDAH e como ele afeta quem tem o transtorno?

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade é uma condição neurobiológica caracterizada por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que interferem no funcionamento diário e no desenvolvimento das habilidades sociais e acadêmicas. Embora seja mais comum na infância, o TDAH na vida adulta também pode causar desafios significativos.

As principais características do transtorno incluem:

  • Desatenção – indivíduos com TDAH têm dificuldade em manter o foco em tarefas, em organizar atividades, frequentemente cometem erros por descuido e são facilmente distraídos;
  • Hiperatividade – algumas pessoas com TDAH podem ter um nível excessivo de atividade motora. Isso pode se manifestar como inquietude, incapacidade de ficar quieto em situações em que se espera que fiquem, ou a sensação de estar “ligado” o tempo todo;
  • Impulsividade – pode se manifestar na forma de ações precipitadas, sem pensar antes nas consequências, interromper os outros, tomar decisões apressadas ou ter dificuldade em aguardar a vez.

Além disso, é importante compreender a diferença entre TDAH e TOD, pois os sintomas podem ser confundidos, mas possuem abordagens terapêuticas distintas.

Como é feito o tratamento para o TDAH?

O tratamento do TDAH, geralmente, envolve abordagens multidisciplinares, incluindo terapia comportamental, intervenções educacionais e, em alguns casos, medicamentos.

  • Terapia comportamental – abordagens terapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia comportamental parental (TCP), podem ajudar a desenvolver habilidades de gerenciamento de sintomas, estratégias de organização e planejamento, e melhorar o autocontrole e a autorregulação.
  • Apoio educacional – pessoas com TDAH que estejam estudando podem se beneficiar de apoio educacional adicional, como planos de educação individualizados ou acomodações na sala de aula para ajudar a atender às suas necessidades acadêmicas.
  • Apoio psicossocial – o apoio da família e de amigos é crucial no tratamento do TDAH. O entendimento, o apoio emocional e a comunicação aberta são importantes para auxiliar a pessoa com TDAH a lidar com os desafios associados ao transtorno.
  • Medicação – o uso de medicamentos, como psicoestimulantes, pode ser indicado, principalmente, quando outras doenças neurológicas estão associadas. Embora, no Brasil, as diretrizes terapêuticas adotadas na rede pública de saúde foquem somente em terapia cognitivo-comportamental, apoio escolar, orientação tanto para o paciente quanto para a família dele e hábitos alimentares.

Além disso, compreender a relação entre TDAH e bipolaridade pode ser essencial para um diagnóstico e tratamento mais eficazes.

Como o neurofeedback pode beneficiar quem tem TDAH?

Embora o neurofeedback seja uma abordagem promissora, é importante destacar que os resultados podem variar de pessoa para pessoa. Entre os benefícios para indivíduos com TDAH, estão:

  • O treinamento de neurofeedback pode ser direcionado para melhorar a atenção e reduzir a impulsividade, dois aspectos-chave do TDAH. Isso resulta em uma maior capacidade de concentração e desempenho em tarefas específicas;
  • Pode incluir a regulação de ondas cerebrais, como Theta e Beta, para promover um equilíbrio mais adequado e melhorar a função cognitiva;
  • Reduz de forma significativa as manifestações comportamentais relacionadas ao TDAH, incluindo diminuição na impulsividade, inquietação e dificuldades de atenção.

Como a terapia cognitivo comportamental pode ajudar no tratamento do TDAH?

A terapia cognitivo comportamental envolve o uso de técnicas para enfrentamento dos sintomas do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Ela busca promover mudanças de padrões de pensamentos e comportamentos, assim como o desenvolvimento de habilidades e uma nova visão sobre si mesmo. A abordagem psicoterápica se mostra eficiente para adultos e crianças, e em cerca de 12 a 15 sessões já é possível observar melhorias. Para saber mais, confira:

  • O que é o TDAH e como ele afeta a vida das pessoas?
  • O que é a terapia cognitivo comportamental e como ela pode ajudar no tratamento do TDAH?
  • Como funciona a terapia cognitivo comportamental para o TDAH? (princípios, objetivos e técnicas)
  • Que tipo de táticas da terapia cognitivo comportamental podem ajudar pessoas com TDAH?
  • Quais são os benefícios da terapia cognitivo comportamental para as pessoas com TDAH?

O que é o TDAH e como ele afeta a vida das pessoas?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento marcado, especialmente, por três características: a desatenção, a impulsividade e a agitação. A disfunção costuma afetar pessoas em todas as idades. No Brasil, cerca de 7,6% das crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 17 anos, possuem o diagnóstico. Na faixa dos 18 aos 44 anos, a prevalência é de 5,2% e, acima dessa marca, a estimativa fica em 6,1%.

A maior parte dos diagnósticos ocorre no início da vida escolar, quando as crianças são submetidas a novas responsabilidades e maior autonomia. Nesse contexto, ficam evidentes problemas de cognição e instabilidades de humor, características comuns em pessoas com TDAH.

Os sintomas do transtorno podem prejudicar o processo de aprendizagem e, por consequência, o desempenho escolar. São crianças com muita dificuldade em solucionar problemas, planejar, seguir orientações e reter informação. Além disso, estão constantemente em busca de compensações para se sentirem motivadas nos estudos. No caso dos adultos, os prejuízos podem ser ainda maiores, como:

  • Propensão a comportamentos sexuais de alto risco;
  • Instabilidade profissional;
  • Abuso de drogas, como o álcool;
  • Maior probabilidade de acidentes;
  • Isolamento social.

A disfunção pode estar associada a outros problemas de saúde mental, como transtornos de humor, depressão, ansiedade, distúrbios de personalidade e outras condições psicóticas. Esse combo piora ainda mais a qualidade de vida da pessoa com TDAH.

O que é a terapia cognitivo comportamental e como ela pode ajudar no tratamento do TDAH?

A terapia cognitivo comportamental (TCC) é uma modalidade da psicoterapia voltada para mudança de padrões do comportamento e pensamentos. Aborda a visão do paciente sobre si mesmo, suas habilidades e expectativas para o futuro. Nesse sentido, a pessoa é estimulada a entrar em contato com os sentimentos e pensamentos para compreender os gatilhos/motivos dos problemas. A TCC é indicada para o tratamento de diversas condições psíquicas de saúde, como:

  • TDAH;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Fobias;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Esquizofrenia;
  • Transtornos bipolares.

As técnicas utilizadas pelos profissionais nesse tipo de terapia ajudam a:

  • Diminuir a ocorrência de sintomas;
  • Tratar problemas psíquicos em que remédios não fazem efeito ou não são recomendados;
  • Desenvolver técnicas para lidar com o estresse;
  • Superar traumas emocionais, como violências na infância;
  • Gerenciar sintomas físicos e emocionais;
  • Lidar com perdas;
  • Identificar gatilhos emocionais;
  • Ajudar na comunicação e relacionamento com outras pessoas.

Como funciona a terapia cognitivo comportamental para o TDAH?

A terapia cognitivo comportamental varia de acordo com o profissional e os principais desafios enfrentados pelo paciente. Nos primeiros encontros, o terapeuta explica as práticas e aprofunda o conhecimento sobre o paciente para, depois, iniciar as táticas necessárias.

Nesse modelo de atendimento, as pessoas com TDAH aprendem a rever padrões de pensamento, que geralmente estão automatizados e se baseiam em interpretações equivocadas. A proposta é utilizar técnicas envolvendo:

  • Reestruturação cognitiva;
  • Solução de problemas;
  • Diálogo interno;
  • Treino do autocontrole;
  • Autorreforço;
  • Sistema de recompensas;
  • Autoavaliação e monitoramento;
  • Dramatizações;
  • Treinamento de comunicação.

Que tipo de táticas da terapia cognitivo comportamental podem ajudar pessoas com TDAH?

As sessões de terapia cognitivo comportamental são estruturadas para tratar aspectos específicos e, por isso, o paciente com TDAH e seu psicoterapeuta costumam focar primeiro no sintoma com a maior repercussão no dia a dia. Para cada problema, existem técnicas específicas, tais como:

Planejador diário

Montar uma agenda ou planejador será extremamente benéfico para pessoas com TDAH evitarem esquecimentos, aprenderem a gerenciar o tempo e a se organizar.

Dividindo as tarefas

Começar um novo projeto pode ser desafiador para quem tem TDAH. A TCC ensina a dividir o projeto em etapas, tornando a realização mais fácil.

Longe ou perto do campo de visão

A técnica consiste em tirar de vista o que não será usado e deixar aparente o que precisa ser utilizado, evitando distrações.

Matriz de importância da urgência

A ideia é separar as atividades em quatro categorias: importantes, urgentes, não importantes e não urgentes, ajudando no gerenciamento do tempo.

Quais são os benefícios da terapia cognitivo comportamental para as pessoas com TDAH?

A TCC traz diversos benefícios, como:

  • Melhora do autocontrole;
  • Maior equilíbrio da atenção;
  • Desenvolvimento de habilidades para solucionar problemas;
  • Aumento da autoestima;
  • Melhora da sensibilidade emocional;
  • Diminuição dos atrasos e esquecimentos;
  • Maior noção das prioridades.

Além disso, a TCC também pode ajudar na gestão de transtornos de humor e bipolaridade, que frequentemente estão associados ao TDAH.

Os resultados aparecem após 12 a 15 sessões de aproximadamente uma hora cada. Mesmo após a remissão dos sintomas, a continuidade das sessões auxilia na manutenção dos ganhos obtidos.

Nos casos em que há indicação de tratamento medicamentoso, a TCC pode ser uma alternativa para pacientes que resistem ao uso de remédios. Além disso, é eficaz no desenvolvimento de estratégias para melhorar a qualidade de vida e fortalecer relacionamentos, ajudando na adaptação às dificuldades diárias. Para muitas pessoas, compreender a diferença entre TDAH e TOD também é essencial para um tratamento mais direcionado e eficaz.

Por fim, é importante lembrar que o TDAH pode trazer impactos positivos, como criatividade e hiperfoco em atividades de interesse. A TCC ajuda a potencializar essas habilidades e direcioná-las para objetivos produtivos, promovendo uma vida mais equilibrada e satisfatória. Para saber mais sobre os impactos positivos do TDAH, vale a pena explorar como esse transtorno pode ser uma força, e não apenas um desafio.

Como o TDAH pode influenciar a criatividade e o talento?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que atinge entre 5% e 8% da população brasileira, tendo como manifestações características a desatenção, impulsividade e agitação. Mas, apesar das dificuldades que pode causar no dia a dia, a condição também pode estimular a criatividade, moldando e amplificando a expressão artística e o desenvolvimento de talentos.

Continue a leitura para saber:

  • O que é o TDAH e como ele afeta quem tem o transtorno?
  • O TDAH pode beneficiar a criatividade e o talento?
  • O TDAH também pode dificultar a criatividade e o talento?
  • Como é feito o tratamento para o TDAH?

O que é o TDAH e como ele afeta quem tem o transtorno?

tdah e criatividade

Close up of a smiling female entrepreneur. Businesswoman sitting at her desk working on laptop.

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é um distúrbio neurobiológico caracterizado por sintomas como falta de atenção, inquietude e impulsividade. Aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a vida.

Existem três tipos de TDAH, divididos conforme as manifestações mais predominantes:

  • Tipo desatento – dificuldade para organizar ou terminar tarefas, prestar atenção a detalhes ou seguir instruções, além de fácil distração e esquecimento de compromissos do dia a dia.
  • Tipo hiperativo/impulsivo – inquietação, agir sem pensar nas consequências, excesso de energia e dificuldade em ficar parado.
  • Tipo combinado – presença dos sintomas dos dois subtipos anteriores.

O TDAH pode afetar significativamente a vida de quem tem o transtorno. As crianças podem ter dificuldades na escola, relações sociais e vida familiar, enquanto os adultos enfrentam desafios no trabalho, relacionamentos amorosos e vida financeira. Além disso, pesquisas sugerem que há uma relação entre TDAH e criatividade, o que pode impactar diversas áreas da vida profissional e artística.

O TDAH pode beneficiar a criatividade e o talento?

Embora o TDAH traga desafios em diversas áreas, algumas teorias indicam que certos aspectos do transtorno podem favorecer o pensamento criativo e o desenvolvimento de talentos, como:

  • Pensamento associativo – pessoas com TDAH frequentemente fazem conexões não convencionais entre ideias, favorecendo soluções inovadoras.
  • Hiperfoco – apesar da dificuldade em manter a atenção, indivíduos com TDAH podem apresentar episódios de concentração intensa em atividades de interesse, resultando em produções excepcionais.
  • Energia elevada – o entusiasmo e a impulsividade podem ser direcionados para a exploração de novas ideias e projetos criativos.
  • Pensamento rápido e flexível – a velocidade de processamento mental pode ser uma vantagem em ambientes que exigem criatividade e adaptabilidade.
  • Disposição para correr riscos – pessoas com TDAH costumam ter uma tolerância maior à incerteza, o que pode incentivá-las a explorar caminhos inovadores.

A presença desses fatores pode explicar por que muitas pessoas com TDAH se destacam em carreiras artísticas, esportivas e empreendedoras. No entanto, a influência do transtorno na criatividade e no talento depende de diversos fatores individuais e do suporte disponível.

O TDAH também pode dificultar a criatividade e o talento?

Apesar das vantagens em algumas áreas, o TDAH também pode trazer dificuldades que afetam a criatividade e a capacidade de desenvolver talentos, como:

  • Dificuldade em manter a atenção – pode prejudicar a capacidade de focar em uma atividade criativa por longos períodos, dificultando a conclusão de projetos.
  • Impulsividade excessiva – pode levar a decisões precipitadas, afetando a qualidade do trabalho criativo.
  • Problemas com organização e gestão do tempo – a desorganização pode comprometer a implementação de ideias e a continuidade de projetos.
  • Flutuações na energia e motivação – a produtividade pode ser inconsistente, impactando a realização de trabalhos criativos.
  • Dificuldades nas relações sociais e profissionais – o TDAH pode afetar a colaboração e a troca de ideias, essenciais para o desenvolvimento criativo.

Embora o transtorno possa oferecer vantagens criativas, ele também exige estratégias para evitar que seus desafios interfiram na expressão do talento. Algumas abordagens podem ajudar a canalizar a criatividade de forma produtiva, promovendo uma melhor qualidade de vida para quem tem TDAH.

Como é feito o tratamento para o TDAH?

O tratamento para o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade geralmente envolve uma abordagem multifacetada, incluindo intervenções comportamentais, psicoeducação, suporte familiar e, em alguns casos, medicação.

Os principais recursos terapêuticos incluem:

  • Terapia comportamental – abordagens como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajudam a desenvolver habilidades de organização, controle de impulsos e planejamento.
  • Apoio educacional – crianças e adolescentes podem se beneficiar de estratégias adaptadas no ambiente escolar para melhorar o aprendizado e a concentração.
  • Apoio psicossocial – o suporte da família e amigos é essencial para a adaptação às dificuldades e para o incentivo ao desenvolvimento de talentos.
  • Medicação – em alguns casos, o uso de psicoestimulantes pode ser recomendado para ajudar a controlar os sintomas.

O tratamento do TDAH deve ser personalizado de acordo com as necessidades individuais. Além disso, práticas como a adoção de rotinas estruturadas, técnicas de organização e até mesmo a prática de exercícios físicos podem contribuir para uma melhora significativa no bem-estar e no desempenho das atividades diárias.

A prática de atividades físicas, por exemplo, tem sido recomendada para pessoas com TDAH como uma estratégia auxiliar no controle dos sintomas. Estudos indicam que a atividade física pode trazer benefícios ao estimular a produção de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor e da atenção.

Com a combinação adequada de estratégias e suporte, pessoas com TDAH podem minimizar as dificuldades associadas ao transtorno e potencializar seus talentos, explorando ao máximo sua criatividade e capacidade de inovação.

 

A alimentação pode aumentar o risco de TDAH e piorar os sinais e sintomas?

A alimentação pode influenciar os sintomas do TDAH, agravando ou amenizando a condição conforme os padrões alimentares adotados

Alguns padrões alimentares têm sido associados ao risco de desenvolvimento do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou agravamento dos sinais e sintomas. Em geral, são dietas baseadas em alimentos processados e ultraprocessados, com alto teor de sódio, açúcar, corantes, entre outros elementos químicos, usados para aumentar a durabilidade. A partir das evidências científicas, a alimentação pode vir a ser parte do tratamento para pessoas com o distúrbio.

Confira mais a seguir:

  • O que é o TDAH?
  • Quais são os sinais e sintomas de TDAH?
  • Quais alimentos podem aumentar o risco de TDAH ou agravar os sinais e sintomas?
  • O que são alimentos processados e ultraprocessados?

O que é TDAH?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado pelos sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. A disfunção pode se manifestar em qualquer idade, mas o diagnóstico é mais comum na infância, principalmente quando a criança começa a frequentar a escola.

O ambiente escolar, até então, é um lugar desconhecido, com muitos estímulos capazes de despertar os sintomas de TDAH. Dificuldades na aprendizagem e interação social geralmente são os principais sinais de alerta para o transtorno.

No Brasil, a estimativa do TDAH na vida adulta é de 5,2% entre brasileiros de 18 a 44 anos, e essa taxa sobe para 6,1% entre pessoas acima de 44 anos. O transtorno pode impactar diversos aspectos do dia a dia, incluindo o desempenho profissional, os relacionamentos interpessoais e o bem-estar emocional, levando a desafios específicos enfrentados por adultos com o diagnóstico de TDAH na vida adulta.

Além disso, muitas pessoas confundem os sintomas do transtorno com outras condições, como o transtorno desafiador opositivo (TOD). Embora compartilhem algumas características, os dois transtornos possuem manifestações distintas, sendo fundamental compreender a diferença entre TDAH e TOD para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.

Quais são os sinais e sintomas de TDAH?

Os sinais e sintomas do TDAH são específicos, mas variam caso a caso. Impulsividade, desatenção e hiperatividade podem ou não se manifestarem em conjunto. Nesse sentido, pessoas com o transtorno se encaixam em três categorias:

  • Predominantemente desatento – falta de atenção, dificuldade em manter o foco, organização e seguir instruções são as principais características
  • Predominantemente hiperativo-impulsivo – hiperatividade, impulsividade, inquietude e dificuldade em controlar impulsos estão presentes nesse grupo
  • Tipo combinado – são observados todos os sintomas característicos do transtorno: desatenção, hiperatividade e impulsividade

Além dos sinais e sintomas listados, existem outros comportamentos observados em pessoas com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade:

  • Hiperfoco em atividades prazerosas;
  • Esquecimentos frequentes;
  • Pensamentos acelerados;
  • Falar excessivamente;
  • Interromper as pessoas durante as conversas;
  • Isolamento social;
  • Falta de autoestima.

Estudos também indicam uma possível relação entre TDAH e bipolaridade, pois algumas características do transtorno, como oscilações de humor e impulsividade, podem se sobrepor às do transtorno afetivo bipolar. A semelhança entre essas condições pode levar a desafios no diagnóstico e na escolha do melhor tratamento, tornando essencial compreender a relação entre TDAH e bipolaridade.

A intensidade e presença de certos sinais e sintomas do TDAH também variam de acordo com a faixa etária. Na maior parte dos casos, as crianças apresentam mais dificuldade para entender e respeitar regras, ficar parada e controlar os impulsos. Estão mais propícias à obesidade.

Entre os adolescentes seriam mais específicos os problemas de conduta, comportamento sexual de alto risco e gravidez indesejada. Para os adultos a lista inclui o abuso do álcool e outras drogas, dificuldades no trabalho e mudanças frequentes de humor. Via de regra, pessoas com TDAH são suscetíveis a desenvolver outros transtornos psíquicos, como depressão, ansiedade e bipolaridade.

Quais alimentos podem aumentar o risco de TDAH ou agravar os sinais e sintomas?

alimentação aumenta risco de tdah?

Padrões alimentares têm sido associados ao desenvolvimento ou agravamento dos sintomas de TDAH. Estudos mostram que dietas pobres em nutrientes, ricas em carboidratos e excesso de gordura são as mais prejudiciais. O risco de desenvolver o transtorno chega em até 92% quando a dieta está baseada nos seguintes alimentos:

  • Gordura hidrogenada;
  • Cereais refinados;
  • Refrigerante;
  • Carne vermelha.

Com alto teor de sódio, açúcar e corantes, os junk foods elevam as chances de desenvolver o transtorno em até 51%. Fazem parte desse grupo de alimentos:

  • Batata frita;
  • Salgadinhos;
  • Sorvete;
  • Bombons e biscoitos.

As pesquisas indicam que dietas saudáveis provocam efeito inverso, diminuindo a possibilidade e a piora dos sintomas de TDAH. Em geral, as refeições contêm alimentos proteicos e compostos por zinco, selênio, magnésio, vitaminas A e D. São exemplos:

  • Carnes magras;
  • Ovos;
  • Leguminosas (feijão, soja);
  • Laticínios com pouca gordura;
  • Frutas.

Os probióticos, que são bactérias vivas que ajudam a combater micro-organismos prejudiciais à saúde, também têm sido incorporados às dietas saudáveis. Além do TDAH, os probióticos têm contribuído para melhora dos sintomas de outros transtornos psíquicos. Isso porque ajudam a equilibrar a microbiota e sua conexão com intestino e o cérebro.

O que são alimentos processados e alimentos ultraprocessados?

Os alimentos processados e ultraprocessados, que podem elevar o risco para o desenvolvimento ou agravamento dos sintomas de TDAH, são aqueles que passaram por procedimentos de industrialização. O principal objetivo dessas alterações é estender o prazo de validade dos produtos.

No Brasil, a classificação NOVA divide os alimentos em quatro categorias, de acordo com essas transformações: in natura ou quase nada processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados.

Com isso, uma alimentação equilibrada e baseada em ingredientes naturais pode ser um grande aliado na melhora dos sintomas do TDAH e na promoção da qualidade de vida.