O TDAH em mulheres tende a ser subdiagnosticado por apresentar sinais diferentes dos observados em homens
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que afeta atenção, controle do impulso e, muitas vezes, níveis de atividade.
Historicamente, a maioria das pesquisas e critérios diagnósticos se baseou em crianças do sexo masculino, o que contribuiu para que muitos casos em mulheres fiquem sem reconhecimento por muito tempo.⁵
Como o TDAH se manifesta de formas distintas entre os sexos?
As diferenças na manifestação do TDAH em mulheres e em homens envolvem não só a intensidade dos sintomas, mas também a forma como eles aparecem no dia a dia e são percebidos por familiares, professores e profissionais de saúde.⁵
Sintomas internalizados x externalizados
Em meninos, os sintomas costumam ser mais externalizados: hiperatividade, impulsividade e comportamentos disruptivos que chamam atenção em sala de aula e em casa.
Já nas meninas, os sintomas tendem a ser internalizados: distração, desatenção, desorganização, esquecimento e procrastinação são mais frequentes e menos visíveis.
Esse padrão facilita que os sinais sejam interpretados como “sonhadora”, “distraída” ou “mimada”, em vez de reconhecidos como manifestações do TDAH.
Além disso, muitas mulheres desenvolvem estratégias de camuflagem, ou seja, esforços conscientes ou inconscientes para mascarar dificuldades e se adequar às expectativas sociais, o que dificulta ainda mais o reconhecimento do transtorno.
Diferenças no impacto emocional e no desempenho escolar/profissional
Enquanto comportamentos visíveis podem levar a intervenções precoces em meninos, as meninas frequentemente acumulam anos de frustração sem diagnóstico, aumentando o risco de desenvolver ansiedade, depressão e baixa autoestima, além de impacto negativo no rendimento escolar e profissional.
No trabalho, é comum que TDAH em mulheres apresentem sobrecarga mental, dificuldade em gerenciar prazos e sensação constante de que não estão dando conta, fatores que elevam a probabilidade de exaustão e burnout.
Por que o diagnóstico de TDAH em mulheres costuma demorar mais?
O atraso no diagnóstico é resultado de fatores sociais, clínicos e históricos.
O conhecimento médico e educacional evoluiu com base em populações onde os sinais externos predominavam, daí o atraso em reconhecer as apresentações femininas do transtorno.⁵
Estereótipos de gênero e invisibilidade dos sintomas
Estereótipos que associam meninas a comportamentos calmos e organizados levam à interpretação equivocada de sinais como “falta de esforço” ou “sensibilidade exagerada”.
Esses vieses culturais fazem com que queixas legítimas sejam desconsideradas ou atribuídas a fatores emocionais distintos do TDAH.⁴ É comum que professoras, familiares e até profissionais de saúde não reconheçam o padrão feminino de sintomas, perpetuando a subnotificação.⁵
Consequências do diagnóstico tardio: ansiedade, baixa autoestima e burnout
Viver sem diagnóstico por anos tem custo emocional. A afirmação persistente de que “não é desatenção, é falta de empenho” alimenta culpa e baixa autoestima, e amplia o risco de comorbidades como ansiedade e depressão.
Pesquisas indicam que o diagnóstico tardio de TDAH em adultos está relacionado a maiores dificuldades emocionais, sociais e profissionais.
Mulheres que passam a infância e adolescência sem reconhecimento do transtorno tendem a desenvolver maior sofrimento psicológico, dificuldades acadêmicas e prejuízos no funcionamento social e profissional.
O esforço constante para compensar os sintomas e corresponder às expectativas pode resultar em exaustão emocional e queda na autoestima, reforçando o ciclo de sobrecarga e desgaste mental.⁵
Caminhos para melhorar o diagnóstico e o tratamento
Melhorar a detecção e o manejo do TDAH em mulheres passa por mudanças na prática clínica, no ambiente escolar e na percepção social.
Importância da escuta atenta e da avaliação multidisciplinar
Uma escuta cuidadosa, sem preconceitos, é o ponto de partida. Avaliações multidisciplinares, envolvendo psiquiatras, psicólogos, neurologistas e, quando necessário, educadores, aumentam a precisão do diagnóstico.
Adaptações terapêuticas com foco na realidade feminina
O tratamento do TDAH deve ser personalizado e considerar o contexto de vida da mulher: suas responsabilidades diárias, demandas emocionais, fatores hormonais e rotina de trabalho.
Estratégias combinadas, que envolvem acompanhamento médico, psicoterapia, intervenções psicoeducativas e, quando indicado, uso de medicamentos, costumam trazer melhores resultados.
Além dessas abordagens, o suporte nutricional pode contribuir para a manutenção do foco e da clareza mental. Nesse contexto, suplementos como o Convivia®, da Cellera Farma, podem ser aliados no cuidado da saúde cognitiva.
Formulado com Neumentix™, vitaminas do complexo B, magnésio e selênio, o produto foi desenvolvido para auxiliar o desempenho mental, a memória e a concentração.
É importante reforçar que Convivia® não é um medicamento, e seu uso deve ser orientado por um profissional de saúde. A regularidade no consumo, aliada a hábitos saudáveis e acompanhamento médico, pode favorecer o equilíbrio cognitivo e o bem-estar de forma contínua.
Cuidar da saúde mental exige paciência, diagnóstico adequado e acompanhamento constante.
Com uma abordagem mais sensível à realidade feminina, é possível reduzir o subdiagnóstico do TDAH em mulheres, melhorar o acesso a tratamentos e apoiar a qualidade de vida em todas as fases.
Referências
- Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). TDAH em mulheres. Disponível em: https://tdah.org.br/tdah-em-mulheres/
- Slobodin O, Davidovitch M. Gender Differences in Objective and Subjective Measures of ADHD Among Clinic-Referred Children. Front Hum Neurosci. 2019 Dec 13;13:441.
- Castro, C.X.L.; De Lima, R. F. Consequências do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na idade adulta. Revista Psicopedagogia, v. 35, n. 106, p. 61-72, 2018
- Gilbert M, Boecker M, Reiss F, et al. Gender and Age Differences in ADHD Symptoms and Co-occurring Depression and Anxiety Symptoms Among Children and Adolescents in the BELLA Study. Child Psychiatry Hum Dev. 2025 Aug;56(4):1162-1172.
- National Library of Medicine (PMC). Attention-deficit/hyperactivity disorder in adults: a review of the clinical presentation and neurobiology. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6923191/