4 dicas de como cuidar da saúde digestiva do bebê

Bebê deitado na cama recebendo carinho do responsável, imagem relacionada à saúde digestiva infantil

A saúde digestiva nos primeiros meses de vida influencia o desenvolvimento, o bem-estar e a imunidade do bebê

A saúde digestiva é essencial para o crescimento e o bem-estar do bebê. Nos primeiros anos, o sistema gastrointestinal ainda está se desenvolvendo, e cada cuidado conta, da amamentação às primeiras papinhas. 

Cuidar bem da digestão nessa fase ajuda a formar uma microbiota equilibrada e fortalece a imunidade para toda a vida.

Por que a saúde digestiva é tão importante nos primeiros anos?

Os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento físico e imunológico do bebê. É nesse período que o sistema digestivo amadurece, aprendendo a processar os nutrientes e a se defender de agentes externos. 

Cuidar da saúde digestiva desde cedo é essencial para garantir crescimento saudável, conforto e uma boa base para a imunidade.

Relação entre intestino, imunidade e absorção de nutrientes

Nos primeiros meses, o sistema digestivo do bebê ainda está se desenvolvendo. Um intestino que funciona bem favorece a absorção de nutrientes essenciais e ajuda a eliminar resíduos de forma eficiente.¹

Além disso, o trato gastrointestinal está muito ligado ao sistema imunológico: é um dos primeiros locais de contato entre o corpo e microrganismos externos. ¹

Quando esse sistema “anda bem”, há menor risco de desconfortos digestivos e melhores condições para o crescimento e imunidade.

Papel da microbiota intestinal na infância

A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que colonizam o intestino. Nos primeiros anos de vida, essa colonização é particularmente importante: define a composição microbiana, que por sua vez afeta digestão, imunidade e saúde futura. 

O perfil da microbiota infantil sofre grandes alterações nessa fase inicial. A amamentação e a alimentação complementar têm papel central nessa formação.¹ 

Além disso, fatores como o tipo de parto (vaginal ou cesárea) influenciam esse processo de colonização desde muito cedo.²

Uma microbiota equilibrada no bebê contribui para menos episódios de constipação, cólicas ou refluxo, absorção adequada de nutrientes e suporte ao sistema imunológico em formação.

Dicas para cuidar da digestão do bebê de forma natural e segura

Cuidar da digestão do bebê exige atenção e acompanhamento. Cada fase do desenvolvimento tem suas particularidades, por isso é importante observar os sinais do pequeno e sempre conversar com o pediatra antes de fazer qualquer mudança na alimentação ou iniciar o uso de suplementos.

Aleitamento materno e introdução alimentar adequada

A amamentação exclusiva até cerca dos seis meses é recomendada para favorecer a boa saúde digestiva do bebê.³ 

O leite materno não contém só nutrientes. Ele fornece também compostos bioativos que ajudam na maturação do intestino, no equilíbrio da microbiota e no suporte à imunidade

Durante a introdução alimentar, que costuma começar por volta dos seis meses, é importante perceber se o bebê já está pronto para comer. 

Alguns sinais são:³

  • Conseguir sentar com apoio;
  • Demonstrar curiosidade pelos alimentos;
  • Conseguir engolir bem, sem empurrar a comida com a língua.

Evite alimentos ultraprocessados e respeite os sinais de saciedade

Quando se inicia alimentação complementar, priorizar alimentos frescos, pouco processados, faz uma grande diferença. 

Estudos apontam que práticas alimentares inadequadas na infância (como excessivo consumo de ultraprocessados) podem afetar a formação da microbiota intestinal e o perfil nutricional.⁴

Também é importante respeitar o ritmo do bebê: oferecer alimento no tempo dele, e observar os sinais de saciedade, ou seja, parar quando ele mostra que já não quer comer mais. Isso evita sobrecarga digestiva, desconfortos e contribui para bons hábitos futuros.

Observe cólicas, refluxos e episódios de constipação

É comum que bebês passem por episódios de desconforto digestivo, por exemplo, cólicas, refluxo ou evacuação mais difícil. 

Esses sinais merecem atenção: podem indicar que o sistema digestivo está em adaptação ou que ajustes são necessários (como postura para alimentação, volume de leite, introdução alimentar).

Caso o bebê chore muito após a mamada, tenha fezes muito duras, vômitos frequentes ou constipação persistente, é importante procurar o pediatra para avaliação e orientação.

Converse com o pediatra sobre o uso de probióticos infantis

Em alguns casos, o pediatra pode indicar o uso de probióticos infantis, microrganismos vivos que ajudam a equilibrar a microbiota intestinal e a melhorar o funcionamento do intestino.

Como vimos, a formação dessa microbiota começa ainda na gestação e pode ser influenciada por fatores como o tipo de parto e a alimentação da mãe. 

Por isso, conversar com o pediatra sobre o uso de suplementos, pode fazer parte de um plano seguro de cuidado com a saúde digestiva.

Mas é importante lembrar: suplementos não substituem uma alimentação adequada nem o acompanhamento médico. Sempre siga a orientação do pediatra antes de iniciar qualquer suplementação.

 

Referências

  1. da Silva Escrivani, Douglas, et al. Como a amamentação e a alimentação podem impactar na microbiota intestinal no desenvolver da criança. Research, Society and Development 12.8 (2023): e11712842951-e11712842951.
  2. Meneguetti, GR; Silva, BA; Leão, MVP. Leite materno: um alimento probiótico. Rev Ped SOPERJ. 2025; 25(1): 21-26
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Quando introduzir novos alimentos para o bebê. Janeiro, 2023. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/nutricao/quando-introduzir-novos-alimentos-para-o-bebe/
  4. Ferraz, T.M.S., Lisboa, C.S. A importância da introdução alimentar nos primeiros 2 anos de vida: revisão de literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação 11.10 (2025): 2888-2903.
  5. de Brito, Andressa Soares, and Renato Ribeiro Nogueira Ferraz. Importância dos probióticos no equilíbrio da microbiota intestinal de recém-nascidos: síntese de evidências. Revista Saúde em Foco 9 (2019).

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